Adriana Esteves e Deborah Secco: as duas engrenagens que fizeram ‘‘Segundo Sol’‘ girar

João Emanuel Carneiro não exagerou quando, em uma das entrevistas de pré-estreia de Segundo Sol, em maio, afirmou que as vilãs de Segundo Sol seriam as grandes movimentadoras da história. Hoje, conhecendo cada uma das muitas camadas que as personagens Karola (Deborah Secco) e Laureta (Adriana Esteves) tiveram durante a trama, não resta nenhuma dúvida.

Sendo mais duro, mesmo gostando bastante de Segundo Sol, a dupla de vilãs carregou a novela nas costas. Embora tivéssemos tramas paralelas fortes, roteiro com viradas constantes, é inegável que Karola e Laureta eram sempre “o sol” que iluminava os outros planetas que orbitavam ao redor delas.

Foto: Reprodução GloboPlay

Adriana Esteves, em uma nova parceria com João Emanuel Carneiro que era esperada desde 2012, quando ela alcançou o ápice da sua interpretação com a vilã Carminha, pode em Segundo Sol exercitar mais uma vez a versatilidade de sua atuação, construindo uma personagem mais densa e menos humana que sua vilã anterior – e esse foi um ponto alto. Embora as comparações inevitáveis, Laureta encontrou o tom certo para a sua personagem e conseguiu se distanciar de Carminha com esse quesito: humanidade.

Foto: Reprodução GloboPlay

Já Deborah Secco chegou aqui ao ápice do seu amadurecimento enquanto atriz. Acompanhamos sua jornada na TV desde menina, passando por personagens sensuais, a comédia, o drama, o protagonismo, até chegarmos aqui em um dos seus melhores feitos: a vilania. Com uma Karola histérica e à beira da loucura, Deborah abraçou todas as nuances que o roteiro foi empregando à Karola, sempre versátil e calando as bocas que, lá no começo da novela, bradavam: “ah, mas ela tá fazendo a Darlene (personagem de Celebridade, 2003) novamente.

Erraram feio.

Deborah veio crescendo à medida que o texto pedia e chegou ao seu auge quando a personagem se revolta e corta o cabelo, mudando drasticamente o visual perua que Karola tinha e passando por uma fase de penúria, renúncia, quase que penoso. A atriz, conhecida pela entrega a cada personagem, não titubeou na hora de dar adeus às longas madeixas e incorporar um corte Joãozinho para a personagem, demonstrando a magnitude que o ofício atriz tem na vida dela.

Foto: Reprodução GloboPlay

Findo aqui a coluna especial dedicada aos comentários sobre Segundo Sol. Termino falando com duas das duas gratas surpresas na televisão em 2018 e com a certeza de que a novela de João Emanuel Carneiro pode não ter sido essa “Avenida Brasil” toda, mas cumpriu – ao menos para quem teve paciência para acompanhar a novela – a missão que lhe foi dada: a de puramente entreter.

Eli Nunes

Publicitário, Roteirista e Apaixonado por teledramaturgia. Viciado em TV, café e twitter. Participou do projeto "Masterclass" do autor de novelas da Rede Globo Aguinaldo Silva para formação de novos roteiristas. Twitter: @olivrodoeli

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