Análise: Record, RedeTV! e SBT planejam aproximação conjunta com novo governo

Quem pensa que o apoio do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal e proprietário da Record TV, ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), deve beneficiar apenas sua emissora a partir de 2019, se engana. As três emissoras que hoje fazem sociedade através da programadora “Simba Content” se encaminham para uma aproximação conjunta com o novo governo. Ou seja, não apenas a Record seguirá um caminho pró-governo, mas também SBT e Rede TV devem seguir na linha de frente de apoio midiático. Por mais que as três redes defendam um jornalismo isento, nos bastidores se desenha uma espécie de “bloco de confiança”, em nome do desenvolvimento do país.

A Globo foi amplamente criticada pelo novo presidente, durante a campanha eleitoral. Nos bastidores, espera-se do novo governo federal uma nova metodologia de distribuição de verba publicitária que não mais tenha como base apenas a audiência das emissoras, o que sempre acabou beneficiando a Rede Globo, que abocanha até hoje a maior fatia de recursos públicos. Se o valor fosse igualmente distribuído, o mercado televisivo seria mais disputado e todas as principais redes que produzem conteúdo próprio poderiam investir melhor em suas programações.

A relação de Bolsonaro com a RedeTV! é antiga. O “Superpop”, de Luciana Gimenez, praticamente foi um dos maiores responsáveis pela transformação do deputado federal em figura política polêmica e de amplo conhecimento do povo. Suas participações eram garantia de altos índices para a emissora e ao mesmo tempo, a visibilidade do político cresceu ao ponto de se criar um “mito político”.

A Record, por sua vez, que foi um dos grandes parceiros do governo Lula, deve seguir pró-governo. Não é a toa que o novo presidente preferiu dar entrevista ao “Jornal da Record”, no mesmo horário que deveria ter participado do debate de primeiro turno da Globo. No dia da vitória de Bolsonaro, a TV da casa do presidente estava ligada na Record e sua primeira entrevista foi concedida no dia seguinte para a emissora do bispo.

Por outro lado, mesmo que o SBT tenha realizado parceria nos debates e sabatinas com “Folha de SP” e “UOL”, como já ocorre há anos, a emissora de Silvio Santos sempre se posicionou como pró-governo. O jornalista Roberto Cabrini, meses antes das Eleições 2018 já havia dedicado um programa especial para apresentar Bolsonaro ao público. Um novo programa foi exibido após o atentado sofrido pelo novo presidente. No último dia 29 de outubro, o “Conexão Repórter” voltou a dedicar um programa especial para Bolsonaro. Ao mesmo tempo, outros políticos do PSL também serão tietados nos próximos dias. O deputado federal mais votado de SP (e da história), Eduardo Bolsonaro, filho do novo presidente, será entrevistado neste domingo (04), pelo “Poder em Foco”. Já a deputada federal mais votada pelo mesmo partido (e também a que mais recebeu votos em todo país), a jornalista Joice Hasselmann, terá direito a um “Conexão Repórter” especial, nesta segunda (05).

Emissoras se unem na luta por distribuição homogênea dos recursos públicos e privados.

Record, RedeTV e SBT, historicamente, compactuam visões semelhantes e posicionamentos conjuntos há pelo menos 15 anos. As três redes se posicionaram, em 2003, contra Globo e Band (que queriam o uso de recursos do BNDES para o pagamento de dívidas das emissoras). Anos depois, foi criada a “Simba Content”, uma programadora que passou a vender o sinal digital dos três canais para as operadoras de TV por assinatura.

 

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Júlio César Fantin

Trabalhou em empresas de comunicação como SBT SC, Band SC e Regional FM. Criou o site Portal G e o portal Ouvintes. É colunista de TV desde 2012. Atua no BastidoresDaTV, desde janeiro de 2015. colunajuliofantin@gmail.com

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