Globo “demite” William Waack ao vivo no “Jornal da Globo”, reafirma ser contra o racismo e “promove” Heraldo Pereira à TV paga

Coube ao colega de TV Globo, Carlos Tramontina, anunciar na noite desta sexta-feira (22), o desligamento do jornalista William Waack, parceiro há anos do jornalista, na filial paulista da emissora carioca. Segundo a nota oficial, o ex-âncora do “Jornal da Globo” decidiu ‘em comum acordo’ o fim de contrato, após o ‘vazamento’ de um vídeo de bastidores, de interpretação racista do apresentador, que curiosamente caiu nas redes sociais, um ano após sua gravação. Em um áudio de qualidade “duvidosa”, mas incontestável pelo próprio, na cobertura das eleições americanas de 2016, Waack comentou: “é coisa de preto”. O âncora foi afastado do jornal há um mês, até que ambos teriam tomado a decisão que foi anunciada no início da edição desta sexta-feira (22), no jornal que Waack apresentou por vários anos. Tramontina não pareceu muito confortável em dar a notícia do “desligamento amigável” do colega.

Desnecessário e constrangedor. Tramontina teve que anunciar desligamento amigável do colega da Globo SP, de quase duas décadas.

Na mesma nota lida por Tramontina, a Globo reafirmou ser duramente contra o racismo, anunciando Renata Lo Prete como substituta efetiva de Waack no “Jornal da Globo”, avaliada pelo público como fraca para o horário. Outra grande decisão da emissora que, deixou claro que, não admite preconceitos é a “promoção” do jornalista Heraldo Pereira, com 32 anos de TV Globo e principal substituto de William Bonner no “Jornal Nacional”, como novo âncora do “Jornal das Dez”, na Globo News.

Não desmerecendo o canal pago de notícias da Globo, mas o negro de maior destaque no telejornalismo brasileiro na atualidade, deixar de ser o substituto “número 1”, no principal telejornal da TV aberta do país, para assumir um jornal limitado aos assinantes de TV por assinatura é “promoção”? Para mim, é uma piada de muito mal gosto, assim como o anúncio de “rompimento amigável”. Desnecessário.

Um mês após polêmica com Waack, jornalista é desligado por racismo e negro destaque do “Jornal Nacional” é promovido para a TV paga.

Para esse humilde jornalista, soou tão estranho como o suposto “ano sabático”, de Evaristo Costa, ex-âncora do “Jornal Hoje”. Aliás, incrível que em apenas dois meses substituíndo Evaristo, o ex-Globo News já virou substituto direto no “Fantástico”, nesse fim de ano. Pensa num menino prodígio. 99% dos jornalistas da emissora só chegaram a patamar tão elevado, após muitas primaveras. A própria Maju Coutinho, negra popstar do tempo do “Jornal Nacional”, só se tornou folguista do “Jornal Hoje”, após muito “ômega 3”.

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Júlio César Fantin

Trabalhou em empresas de comunicação como SBT SC, Band SC e Regional FM. Criou o site Portal G e o portal Ouvintes. É colunista de TV desde 2012. Atua no BastidoresDaTV, desde janeiro de 2015. colunajuliofantin@gmail.com

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