SimbaTV: SBT, RecordTV e RedeTV! podem investir em nova operadora de TV paga

A Simba Content, empresa que representa SBT, RecordTV e RedeTV! na TV paga, continua tentando negociação com as principais operadoras de TV por assinatura do país, para um possível retorno de seus sinais na Grande SP e em Brasília, bem como, um acordo definitivo para a venda dos sinais digitais em todo país. Por outro lado, as três emissoras esbarram em uma cultura histórica, que dificulta um entendimento entre as operadoras de TV e a Simba.

Globo e Band estão diretamente ligadas na implantação e expansão da TV paga no país e inevitavelmente, possuem o respeito e ligações comerciais bem íntimas com as principais operadoras, o que pode explicar a dificuldade de um acordo com SBT, RecordTV e RedeTV!, bloco que em 2003, coincidentemente foi contra as duas emissoras e a Abert na liberação de financiamento do BNDES para pagar dívidas dos grupos de comunicação. A VivoTV, operadora que ainda mantém os três canais em todo Brasil, curiosamente é a que menos tem ligação histórica com os grupos Globo e Bandeirantes. Vale lembrar que a Globo quase entrou em falência devido os investimentos bilionários na Globosat, na Globo Cabo (atual NET) e na Sky Brasil.

Conflito entre Simba e operadoras de TV é mais histórico do que comercial.

Uma alternativa nunca revelada pela imprensa e que o BastidoresDaTV teve conhecimento, diz respeito a um “Plano B” da Simba Content, que poderia ser viabilizado caso as negociações não avancem neste segundo semestre. Assim como o missionário R.R. Soares criou sua própria operadora, a “Nossa TV”, a Igreja Universal já cogitou em criar sua própria operadora de TV paga. O Grupo Silvio Santos possui desde o início da década de 90, sua própria operadora a cabo, a “TV Alphaville”.

Num passado, não tão distante, o mercado já teve operadoras que conseguiram se colocar no mercado brasileiro, mesmo sem a parceria da GloboSat. No país, hoje existem mais de cem operadoras de TV a cabo de pequeno porte e duas com licença para operar via satélite (Algar Telecom e Klin TV). Após analisar o mercado, há quem aposte que a grande alternativa para a Simba Content seja investir na ampliação das pequenas operadoras, incentivar a formação de uma nova grande operadora ou até mesmo fechar um acordo de impacto com uma operadora já existente e torná-la a vitrine da Simba.

As pequenas operadoras já conseguiram o direito de contar com os canais de grandes produtoras como a GloboSat, evitando o monopólio do mercado. Outra garantia que impede a exclusividade de distribuição de canais de programadoras nacionais para qualquer operadora é a lei Nº 12.485, de 12 de setembro de 2011, o que em tese garante a programação de todos os canais disponíveis no mercado, para qualquer operadora, independente do porte, mediante contrato prévio entre operadoras e programadoras de TV.

Nesta briga que aparenta não ter fim, resta saber até onde os executivos das três emissoras da Simba Content estão dispostos em investir para mergulhar de vez no mercado de TV por assinatura. Existem muitos canais internacionais de renome que ainda não encontraram espaço nas operadoras brasileiras que poderiam se associar com a Simba, assim como a GloboSat hoje representa muitos outros em seu catálogo. O que conta a favor das três emissoras é a mídia que cada uma possui para alavancar cada novo negócio. Assim como a RecordTV consegue boa visibilidade com a Igreja Universal, o SBT conseguiu em pouco tempo transformar a novata Jequiti, numa das gigantes brasileiras em perfumaria e cosméticos. Este poder de penetração comercial, jamais deve ser ignorado pelas emissoras e operadoras de TV.

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Júlio César Fantin

Trabalhou em empresas de comunicação como SBT SC, Band SC e Regional FM. Criou o site Portal G e o portal Ouvintes. É colunista de TV desde 2012. Atua no BastidoresDaTV, desde janeiro de 2015.

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