Gilles Lipovetsky conversa com talentos da Globo

Foto: Globo/Estevam Avellar
Foto: Globo/Estevam Avellar

O consagrado filósofo e sociólogo francês, Gilles Lipovetsky, esteve nesta sexta-feira (11), nos Estúdios Globo para um encontro com os talentos da emissora, mediado por Bianca Ramoneda. O autor de grandes obras – como ‘A Era do vazio’, ‘O Luxo Eterno’ e ‘A Felicidade Paradoxal’ – falou de inspirações e referências de seu novo trabalho, ‘Da Leveza’.

A ação, organizada pela área de Desenvolvimento e Acompanhamento Artístico, teve como intuito abordar a leveza da civilização contemporânea,. O autor discute sobre como o leve invadiu a rotina das pessoas e transformou o imaginário, tornando-se um valor e um ideal e, na contramão dessa tendência, a vida parece cada vez mais pesada. “Ironicamente, é essa leveza que alimenta a sensação de peso”, disse Lipovetsky. A partir de afirmações como esta, o filósofo trouxe questionamentos e dividiu sua visão da atualidade com os presentes.

Bianca elogiou a iniciativa de trazer nomes renomados de outras áreas para jogar luz nas questões do entretenimento. “O Gilles trabalha em cima desse conceito da civilização da leveza, então contrapõe o tempo todo a ideia de leveza e peso e como nossos conceitos hoje se baseiam em cima dessa duplicidade. Mas ele vai além disso, fala também que essas duas coisas não são antagônicas e isso gera possibilidade de movimento. Ele traz a riqueza de ver que fronteiras como a que existe entre o jornalismo e o entretenimento não são tão rígidas, que existe movimento dentro disso. Estamos investigando essa linguagem, a televisão está passando por esse momento de investigação e descobertas”, afirma a jornalista.

Durante o encontro, o filósofo elaborou o conceito de hipermodernidade, desenvolvido por ele em obras anteriores, e expandiu a ideia de leveza: “Assistimos a um fenômeno novo que é uma busca de tornar a vida mais leve por vias que não são mais materialistas. Temos o novo comportamento religioso, yoga, meditação, tudo isso expressa essa busca, porque essa leveza é o ideal que todos perseguem, a leveza e a felicidade são inseparáveis. Porém, para construir esse mundo leve é preciso trabalhar, isso é imprescindível. Precisamos de técnicas e isso vai se tornar cada vez mais complicado, somos quase dez bilhões de pessoas no planeta. Se formos consumir do mesmo jeito vamos precisar de quatro ou cinco planetas para suprir as necessidades de todos. Vamos precisar mudar as formas de consumo ao longo do tempo, principalmente, mudar a partir da educação, das escolas e das universidades”.

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