Leda Nagle fala sobre 40 anos de televisão no programa Estúdio Móvel da TV Brasil

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Com lugar cativo na história da televisão brasileira, a jornalista Leda Nagle deixa o posto de apresentadora para ser entrevistada por Liliane Reis na edição especial do programa Estúdio Móvel desta segunda (17), às 18h30, na TV Brasil.

A homenagem reconhece a importância dessa personalidade que ao longo de sua carreira profissional acompanhou e comentou as transformações do país e da sociedade. Ícone do jornalismo brasileiro e da nobre arte de entrevistar, Leda Nagle está comemorando, em 2016, quatro décadas de televisão e 20 anos no comando do programa Sem Censura, também da TV Brasil.

No descontraído encontro, a mineira de Juiz de Fora resgata episódios de sua trajetória no jornalismo televisivo e revela que a naturalidade é uma de suas técnicas para entrevistar. “É preciso ter sensibilidade no diálogo com os convidados”, afirma Leda que tem como um de seu bordões “com certeza”, expressão que ‘ganhou’ da cantora Maria Bethânia. Posteriormente, a jornalista completou a frase e passou a utilizar “com certeza, se Deus quiser”, por sugestão de uma telespectadora.

A experiente jornalista explica como faz para conduzir um bate-papo ao vivo com desenvoltura, lembra de conversas memoráveis, recorda os convidados mais surpreendentes e lamenta não ter tido a chance de entrevistar alguns personagens da história do país como Raul Seixas e Vinícius de Moraes.

Trajetória no universo do jornalismo

Com seu tom de voz inconfundível e sua risada espontânea, Leda conta curiosidades sobre sua trajetória profissional e lembra da época em que era a voz da rádio universitária da Universidade Federal de Juiz de Fora onde se formou. A apresentadora recorda os diferentes cortes de cabelo que também marcam a imagem do jornalista e se delicia ao falar sobre a época da gravidez do filho, o ator Duda Nagle, quando apresentava o Bom Dia Rio.

O Estúdio Móvel traça um panorama sobre as quatro décadas de Leda Nagle na televisão. O programa recorda as passagens da jornalista por emissoras como Rede Globo, Rede Manchete e SBT até chegar a TVE, hoje TV Brasil. “Passa um filme na minha cabeça”, afirma ao enumerar para Liliane Reis as atrações da tevê brasileira que já apresentou como “Jornal Hoje”, “Bom Dia Rio”, “Jornal da Manchete”, “Agenda” e “Leda Nagle com Certeza” até chegar ao “Sem Censura”.

“Eu sempre gostei de ouvir, mas também gosto de falar”, declara a jornalista que confessa. “A voz já foi um problema na minha vida. Tinha vergonha dela porque é muito grave. Na época da faculdade, eu comecei a usá-la na rádio universitária e passei a curtir mais”, explica.

Encontros inesquecíveis

No decorrer da conversa com Liliane Reis, Leda Nagle menciona algumas entrevistas marcantes que fez com personalidades como Tom Jobim, Ney Matogrosso, Hugo Carvana, Padre Fábio de Melo, Cassia Eller, Ivete Sangalo e Maria Bethânia entre tantas outras.

O Estúdio Móvel mostra trechos de gravações do acervo da emissora. “O Sem Censura proporciona encontros incríveis que a gente nem imagina como o dueto de Cauby Peixoto e Emílio Santiago”, cita a jornalista que está no comando do programa há 20 anos dos 31 que a atração entrou no ar, ainda na TVE, em 1985.

Leda Nagle destaca que ao logo de seus quarenta anos na estrada fez gravações com convidados que não participavam de talks-shows com frequência. “Duas pessoas marcaram minha vida em termos de sofrimento de entrevista: a Janete Clair e a Cássia Eller”, diz ao afirmar que tanto a autora de novelas quanto a cantora não gostavam desse tipo de programa.

“A Janete teve febre. Esperei ela tomar o remédio e a febre baixar para fazer uma das poucas entrevistas que tem gravadas com ela que era super tímida. A primeira vez que a Cássia esteve no Sem Censura foi com o Waly Salomão pois ela não conseguir vir sozinha”, relembra.

Curiosidades nos bastidores do Sem Censura

A jornalista também ressalta as peculiaridades do Sem Censura, bate-papo que hoje em dia vai ao ar de segunda à sexta, entre 16h e 17h30 na TV Brasil, com reapresentação diária também, de 0h15 à 1h45. Leda comenta os imprevistos e as surpresas ao realizar uma atração diária com convidados ao vivo. “O entrevistador deve ser curioso e interessado como o telespectador”, recomenda.

Sobre a condução do programa, Leda diz que não há mistérios para costurar as falas e a interação dos convidados. “É pura intuição. Não tem um formato. Eu vou viajando ali na história do que está sendo dito. Nada pode me abalar pois estou só naquela mistura. Gosto muito disso. É uma ótima maneira de sair da vida diária”, reflete.

A apresentadora diz que também gosta de conquistar a confiança dos participantes e faz questão de deixá-los sempre bem à vontade desde o início da entrevista. “Algumas pessoas ainda hoje têm medo de vir ao Sem Censura com receio porque a duração do programa é grande. É muito tempo e os convidados falam não apenas sobre o seu assunto”.

Para Leda Nagle, uma das principais funções do Sem Censura está na prestação de serviço e formação de opinião. “É se preocupar muito com educação sem chatear o telespectador”, finaliza a jornalista que tem dois livros publicados: “Leda Nagle com certeza melhores momentos” (2009) e “De Minas para o Mundo” (2010).

X

Pin It on Pinterest

X