Leonor Corrêa fala sobre ser autora de novela: “Um sonho antigo”

(Foto: Reprodução)
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Leonor Corrêa, a autora de “Carinha de Anjo”, a próxima novela do SBT revelou em entrevista ser um sonho antigo em ser responsável por uma novela. Leonor é jornalista, tem 32 anos de carreira, já foi repórter, apresentadora, autora-roteirista e diretora de diversos programas de TV.

Ela ainda esclarece de quem partiu a ideia de produzir um remake de “Carinha de Anjo” e sobre a preparação do elenco para o início das gravações.

“Carinha de Anjo” é a primeira telenovela que você escreve? Como foi a sua preparação para este momento? Como é poder contar com a supervisão da autora Iris Abravanel, responsável por tantos sucessos na teledramaturgia do SBT?  

Sim, é a minha primeira novela. Na verdade, a preparação é o amadurecimento de um sonho antigo, desde o início de minha carreira. Quem me conhece, sabe que escrever sempre foi o meu ofício preferido. Une paixão, prazer, responsabilidade e determinação. O convite da Iris Abravanel foi o melhor presente que recebi nesses 32 anos de carreira e também o maior desafio. A única certeza que tenho é que não posso decepcionar a confiança que me foi dada. Iris Abravanel é democrática, imprime sua marca através do respeito e incentivo. Isso faz com que a equipe trabalhe feliz, pois não existe medo, e sim admiração por ela. Vontade, garra e alegria na realização do trabalho. Assim se identifica uma liderança. É o caso de Iris Abravanel.

De quem partiu a ideia de fazer a adaptação da novela “Carinha de Anjo”? O que achou da escolha?

Carinha de Anjo foi uma decisão da Iris e da direção do SBT, um sucesso já garantido pelo seu histórico na exibição original aqui e em outros países. É uma história envolvente e resgata o que mais necessitamos nesse momento: a valorização do relacionamento humano e familiar.

Você pretende continuar a unir a família brasileira com “Carinha de Anjo”? Essa é uma trama focada em algum público específico?

É uma novela para a família. Posso garantir que crianças, jovens, adultos e idosos vão se identificar com os personagens. Ser atual, não necessariamente é ser exclusivamente tecnológico, conectado. As famílias são construídas com os ensinamentos dos mais velhos e com a vivência na modernidade. Carinha de Anjo une o passado, o presente e o futuro.

Você acrescentará novas histórias e personagens na sua adaptação de “Carinha de Anjo”? Pode falar um pouco sobre essas novidades?

A adaptação exige isso, pois a novela deve ser brasileira, tratar do nosso cotidiano. São muitas as novidades que integram a trama original. A família do caseiro Inácio e da professora Diana, com seus filhos Zeca e Zé Felipe, ligados ao universo sertanejo. Em contrapartida, o núcleo urbano e conectado, Rosana e seus filhos, Juliana e Emílio retrata a nova estrutura familiar do século 21. O chef de cozinha internacional, Vitor Gamboa, que instala seu food truck na praça principal da cidade de Doce Horizonte. Além de muito humor e aventura com os empregados da família Lários, Silvestre e Franciely e o delegado de polícia, Peixoto e seu auxiliar, Ribeiro, muito divertidos.

Além dos talentos já conhecidos pelo público, a novela também lançará atores revelações, como a protagonista Lorena Queiroz. Como foi a seleção do elenco adulto e infantil?

Tudo é feito inicialmente pela competente equipe de elenco comandada por Márcia Ítalo, com base no perfil das personagens que formatamos e foram aprovados pela Iris Abravanel. Seleção e testes foram realizados para cada personagem. Já trabalhei e conheço o diretor geral da novela, Ricardo Mantoanelli, há muitos anos. Nossa sintonia é perfeita e a parceria com toda a equipe da novela, permitiu que a escolha dos atores fosse feita por votação em algumas reuniões. Com a presença da Iris Abravanel, direção artística e de dramaturgia do SBT, equipe de elenco, eu e meus colaboradores. A Lorena foi uma unanimidade.

Como foi o trabalho de preparação do elenco infantil para dar vida a essas personagens? Fez recomendações?

Eu estive na primeira leitura de texto ao lado da equipe que trabalha com elenco infantil em todos esses anos de sucesso do SBT. É uma equipe muito coesa, que une os diretores de elenco, psicóloga, fonoaudióloga e muitos outros profissionais envolvidos. Como eu disse, é minha primeira novela. E respeito demais a formação, o conhecimento e a experiência de cada um desses profissionais. Aprendo com eles. E, acontece o contrário, a recomendação deles é que define a minha escrita e de minha equipe para cada personagem. Essa troca é essencial.

O que você tem achado do desempenho de Lorena Queiroz, que interpreta Dulce Maria?

Fico encantada com o talento, carisma e dedicação dela. Esse é um trabalho que envolve a família da Lorena e todos esses profissionais que acompanham o dia a dia dos ensaios, preparação, bastidores, gravação, até a edição e sonorização final. Ela é mesmo uma carinha de anjo.

Precisou fazer adaptações para que a atriz mexicana Lucero interpretasse a personagem Tereza? O que acha do desempenho dela? Qual a solução encontrada para justificar o sotaque dela?

Primeiro, alteramos os nomes originais do casal, Luciano e Angélica por motivos óbvios. Mudamos para Gustavo e Tereza. Quando o diretor de Planejamento Artístico e Criação do SBT, Fernando Pelegio, sugeriu a Lucero, para fazer a mãe de Dulce Maria, todos ficaram muito empolgados, já que a atriz é extremamente querida pelo público brasileiro, graças aos sucessos em muitas novelas mexicanas exibidas aqui e também como cantora. Ela é muito presente em nosso País, seja em shows ou participações em programas do SBT, por isso adorou o convite. A Lucero fala bem o português, mas é claro que o perfil de Tereza foi adaptado. Tereza nasceu no México, mas foi criado no Brasil. Filha de Dulce Maria (mexicana) e Adolfo (brasileiro).

Você realizou pesquisas sobre assuntos ligados a temática da trama, como o funcionamento de colégios internos católicos e a vida no interior? Fez algum outro tipo de preparo para escrever essa novela?

Eu e minha equipe de quatro colaboradores começamos as pesquisas em novembro de 2015. Justamente para saber se ainda existem internatos, onde e como funcionam. Claro que a nossa história se concentra na educação das crianças e segue os princípios rígidos da trama original. Pesquisamos também sobre a formação das noviças e freiras. Mas, não é uma novela religiosa, e sim ambientada no colégio de freiras. Transportamos o nosso para a área rural de uma cidade mediana do interior de São Paulo, até para justificar os pais deixarem as filhas pequenas internas durante a semana.

Como serão inseridas as cenas musicais na novela?

Tenho me surpreendido muito com a qualidade dos musicais, seja na escolha dos temas como na execução, coreografia e videoclipes. A direção musical de Arnaldo Saccomani, Láercio Ferreira e equipe resgatam exatamente a nossa proposta. Temos clássicos infantis, o coral de freiras e crianças, a música caipira/raiz da família sertaneja e o pop, da conectada Juju Almeida (Maisa Silva). A regente do Coral, Irmã Fabiana (Karin Hils) e muitos atores são cantores mesmo. Isso mostra o preparo completo. O Zeca (Jean Paulo Campos) estuda de verdade, canta e toca violão para ser nosso astro sertanejo.

Quais são as expectativas quanto à reação dos telespectadores ao assistir Carinha de Anjo? O que as pessoas podem esperar da novela?

Claro que a expectativa e ansiedade são gigantes. Assim como nossa preocupação com todos os detalhes. Desde o conteúdo pertinente a faixa etária, o compromisso com a formação de crianças até a emoção de adultos que vão se identificar. O que nos move é contar uma história com qualidade e princípios fundamentais de caráter: responsabilidade, ética, solidariedade, amor e compromisso com a verdade. Hoje, o que é considerado virtude, em Carinha de Anjo é princípio, meio e fim.

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