Com falta de identidade e planejamento, emissora faz jus à célebre imagem: “morreu ou tá na Record?”

O que Gugu Liberato, Xuxa Meneghel, Geraldo Luís, Marcos Mion, Sabrina Sato, César Filho e tantos outros artistas têm em comum? Certamente não é apenas um contrato com a Record TV. O que muito ocorreu da década passada até os dias atuais é a chacota indagação: “morreu ou foi pra Record”? A emissora do bispo Edir Macedo quis utopicamente chegar à liderança e para isso, gastou uma verdadeira fortuna para “enganar” o telespectador. Tirou nomes fortes de concorrentes como Globo e SBT e criou produtos com a mesma imagem e semelhança. Completamente perdida, não criou até hoje sua própria identidade e mergulhada numa crise existencial, começou a dar tiros no escuro. A maioria dos artistas das concorrentes nunca se deu bem na nova emissora, muitos caíram no esquecimento e até os raros nomes que fugiram da regra, conseguiram ser ofuscados pela falta de planejamento.

Record quis reinventar a TV brasileira, seguindo os passos da Tupi e da Manchete.

Há nove anos, quando Gugu Liberato recebeu proposta da Record para trocar o SBT e seu “Domingo Legal”, numa fase turbulenta do Grupo Silvio Santos, o eterno ‘pintinho amarelinho’ não pensou duas vezes em migrar para a emissora da Barra Funda. Um salário avassalador e a promessa de ganhar um programa de entrevistas, além do seu dominical. Silvio então preparou a mudança, deslocando Gugu para as 11h da manhã. O namoro com a Record, desde então já teve um amigável divórcio, passou por uma sociedade e até hoje Gugu não se encontrou na Record. De animador, passou pelo assistencialismo, pelo jornalismo de porta de cadeia, até que sem muita opção, chegou ao ápice: apresentador de reality show naufragado. Xuxa continua “rainha dos baixinhos”, mas desde que rompeu com a diretora Marlene Mattos, nunca mais conseguiu fazer sucesso. Deixou a Globo, atraída por um salário milionário, ganhou seu próprio programa e não decolou. Teve que virar apresentadora de reality de danças, pra não sair do ar. Assim como Gugu, Xuxa saiu da antiga emissora e caiu no esquecimento. César Filho, que hoje virou um mero leitor de teleprompter, no arrastado “Hoje em Dia”, deixou o jornalismo das manhãs do SBT no auge, alegando qualidade de vida, pois na concorrência pode agora dormir algumas horas a mais.

A ex-BBB e ex-musa do Pânico foi contratada pela Record para se tornar apresentadora. Sabrina Sato aproveitou a oportunidade. Chegou a se consolidar em audiência aos sábados e hoje sofre para vencer a RedeTV!. Com mudanças de horários e investidas errôneas, a emissora afastou o público e desgastou a imagem de Sabrina, como fez com Marcos Mion e hoje faz com Geraldo Luís. Do auge na emissora, jogados à “fogueira santa”. O poder da TV dos bispos em se autoboicotar e tornar um famoso um novo anônimo, chega a ser milagroso. Mion estava consolidado com seu “Legendários”, fazendo uma importante dobradinha com o “Programa da Sabrina”. Não contente, a emissora mudou a atração, até que a ofertou para o museu da televisão. Mion se tornou apresentador de reality fracassado. E o que falar de Geraldo Luís, o fenômeno que cresceu na emissora e se tornou o grande acerto de audiência dos até então esquecidos domingos da Record? Foram quatro anos para que a direção descobrisse que o programa dava prejuízo. Tiraram os estúdios do “Domingo Show” e cortaram o programa pela metade. Geraldo caiu em audiência e assim como os colegas, segue na mesma lista privê da emissora para uma ‘nova atração’: “Os Exilados”. Se continuar assim, não demora muito para o apresentador ser escalado como novo âncora do “Fala que eu te escuto”. Desde que foi afastado por reclamar no ar, Geraldo teve contrato renovado e hoje vive a bipolaridade dos bispos.

Ainda bem que Brito Jr. (colocado na geladeira por implorar no ar que os anunciantes investissem no extinto “Programa da Tarde”; até que rompeu com a emissora), o ex-CQC Rafael Cortez, o jornalista Celso Zucatelli, o chef Edu Guedes e a apresentadora Chris Flores (hoje destaque da programação do SBT); subiram na barca, um pouco antes do dilúvio!

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Júlio César Fantin

Trabalhou em empresas de comunicação como SBT SC, Band SC e Regional FM. Criou o site Portal G e o portal Ouvintes. É colunista de TV desde 2012. Atua no BastidoresDaTV, desde janeiro de 2015. colunajuliofantin@gmail.com

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