Sensacionalismo: Rejeitada no entretenimento, Record TV vira refém do “Cidade Alerta” e do “Balanço Geral”

Desde 2012, quando voltou a disputar a vice-liderança nacional em audiência com o SBT, após alguns anos buscando sem sucesso o “caminho da liderança”, a Record TV viu sua programação naufragar. Depois do sucesso “Os Dez Mandamentos”, até o horário nobre da emissora desabou. As tramas infantis, o “Programa do Ratinho” e a linha de shows do SBT se tornaram imbatíveis e a grade da emissora do bispo Edir Macedo acabou virando refém de dois programas que ocupam hoje cerca de seis horas diárias.

O “Balanço Geral”, apresentado em cada região por um apresentador local, ocupa a faixa das 12h as 15h, e tornou-se um dos programas mais vitoriosos da Record TV em todo país. Em SP, a atração comandada por Reinaldo Gottino atinge frequentemente a liderança. Em Salvador, a versão baiana chega a atingir picos de 20 pontos e a liderança isolada para a Record TV Itapoā.

Emissora dedica 6h diárias para exibição de programas com apelo sensacionalista.

Outro programa que ainda mantém a Record TV nos holofotes é o “Cidade Alerta”, hoje comandado por Luiz Bacci, das 16h45 as 19h45. Assim como o “Balanço Geral”, embora com a vice-liderança consolidada na Grande SP e em diversas outras capitais, o “Cidade Alerta” tem audiência oscilante. Basta algum assunto factual de impacto para que os dois telejornais atinjam grandes picos de audiência. Foi assim com a cobertura da “Greve dos Caminhoneiros” e nos últimos oito dias pelo caso da menina Vitória, encontrada morta em um matagal no interior de São Paulo. O “Cidade Alerta Especial”, do último sábado (16), chegou a atingir a liderança com a cobertura ao vivo do caso Vitória, explorado com detalhes, beirando o sensacionalismo. A linha editorial das atrações nāo está tratando a notícia com responsabilidade, insistindo em uma única pauta, com grande exagero, tudo em busca de audiência.

“Compro aqui a briga. Vamos lhe dar uma resposta. Esteja ela viva ou morta”. Bacci em entrevista com a mãe da menina Vitória. Caso vem sendo explorado à exaustão.

Lamentavelmente, a Record TV não vive sua melhor fase no entretenimento e tem na apelação de longos plantōes do jornalismo e de pautas emotivas ou assistencialistas, até em programas de variedades e de auditório, a fórmula para se manter viva, mesmo que para isso tenha que abandonar sua nova roupagem: “reinventar é a nossa marca” e “aberta para o novo”?

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Júlio César Fantin

Trabalhou em empresas de comunicação como SBT SC, Band SC e Regional FM. Criou o site Portal G e o portal Ouvintes. É colunista de TV desde 2012. Atua no BastidoresDaTV, desde janeiro de 2015. colunajuliofantin@gmail.com

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