“Amor, ódio, inveja e ciúme se parecem em todas as línguas, em todos os países, em todas as famílias”, diz Manoel Carlos

Foto: Globo/ Estevam Avellar
Foto: Globo/ Estevam Avellar

Ele é um dos autores mais experientes da televisão brasileira. Começou a carreira em 1951, quando a televisão tinha acabado de chegar ao país, e já atuou em muitas funções. Passados 65 anos, 15 novelas e muitos outros trabalhos na TV e no teatro, como autor, diretor, produtor e até ator, Manoel Carlos reflete sobre a carreira e sobre o seu modo de trabalhar no “Ofício em Cena” da próxima terça-feira, dia 25, na GloboNews.

Prestigiado por uma plateia lotada de estudantes e profissionais do meio, como a atriz Lilia Cabral, Maneco explica o tipo de trabalho que gosta de fazer. “Dizem que eu faço uma dramaturgia realista, naturalista, mas eu não acho nada disso. Procuro apenas fazer uma coisa verossímel”, explica. E para exemplificar o tipo de novela que faz, cita uma situação cotidiana entre novos vizinhos que ainda não se conhecem. “Você se apresenta, oferece um café, começa a conversar, ela vê a foto da sua família, pergunta o que você faz… Pronto, a novela já começou. Eu me preocupo que seja assim, um bate-papo”.

Ao trazer o cotidiano para as telas, Manoel Carlos quer que as pessoas se reconheçam em suas histórias e reforça a tese de que suas novelas não são rígidas e que mudanças podem acontecer ao longo do percurso: “Novela é que nem um carro, só começa quando você liga o motor. Não penso muito no que vou escrever. A audiência tem muita importância, a repercussão também, vejo se as pessoas gostaram, se está bem amarrado e vou construindo para dar certo. E mudo muito com as sugestões das pessoas”, revela.

Conhecido colecionador de notícias curiosas divulgadas pela imprensa, Maneco revela que a ideia para a troca dos bebês em “Por Amor” veio daí. Ele leu no jornal a notícia de que, no interior do Ceará, uma mãe que havia dado à luz no mesmo dia que a filha trocou os bebês ao saber que o neto tinha morrido. “A troca de bebês foi um acontecimento porque ninguém acreditou que aquilo fosse possível. A Regina Duarte me ligou perguntando se eu achava mesmo necessário colocar essa cena. Foi uma comoção geral na época. Essas coisas parecem absurdas mas são muito possíveis”, reflete o autor, quase 20 anos depois.

A entrevista de Manoel Carlos ao “Ofício em Cena” vai ao ar na próxima terça-feira, dia 25, às 23h30, na GloboNews.

X

Pin It on Pinterest

X