Erika Hilton pede a suspensão do “Programa do Ratinho” por 30 dias
A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) protocolou, nesta quinta-feira (12/3), um pedido ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) de investigação contra o apresentador Ratinho por uma fala transfóbica durante seu programa no SBT.
O documento, ao qual a coluna teve acesso, foi registrado no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MP-SP. Ela solicita a abertura de inquérito policial e prisão do apresentador, cuja pena pode chegar a até 6 anos de reclusão.
Na quarta-feira (11/3), a deputada foi eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A eleição de Erika enfrentou forte resistência do Centrão e da direita, que articularam nos bastidores uma derrota malsucedida.
Segundo a petição, as declarações de Ratinho se baseiam na “repetição de afirmações destinadas a negar a condição feminina da parlamentar e a sustentar que mulheres trans não poderiam ser consideradas mulheres” para participar de espaços institucionais voltados à defesa dos direitos das mulheres.
Além disso, o pedido afirma que as falas do apresentador foram transmitidas em rede nacional, o que “contribuiu para amplificar o alcance das declarações e potencializar seus efeitos discriminatórios”, incluindo a disseminação nas redes sociais.
“As declarações proferidas pelo apresentador não se limitaram a uma crítica política ou a um debate institucional acerca da atuação da parlamentar, mas consistiram na negação explícita de sua identidade de gênero e na afirmação reiterada de que ela não seria uma mulher. Esse elemento constitui o núcleo da conduta aqui narrada e evidencia o caráter discriminatório do discurso proferido”, diz um trecho da peça.
Entenda o caso
Na noite de quarta-feira (11/3), durante seu programa, Ratinho questionou o fato de a comissão ser liderada por uma mulher trans e citou diretamente a identidade de gênero da deputada. Em um dos trechos que mais repercutiram, ele declarou: “Ela não é mulher, ela é trans”.
Na sequência, Ratinho afirmou que, em sua opinião, o cargo deveria ser ocupado por uma mulher cisgênero. “Teve uma votação hoje, e deram a Comissão da Mulher para uma mulher trans. Eu não achei muito justo, não. Tem tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans?”, disse.
O apresentador também fez outra afirmação que gerou críticas entre os espectadores. “Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”, comentou durante a atração.
