Matheus Nachtergaele é o primeiro entrevistado da quarta temporada do “Ofício em Cena” da GloboNews

Foto: Globo/ Divulgação
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O “Ofício em Cena”, programa que reúne grandes nomes da televisão brasileira, sejam eles conhecidos pelo público ou que atuem atrás das câmeras, estreia na próxima terça-feira, dia 23, sua quarta temporada. No primeiro programa, Bianca Ramoneda entrevista Matheus Nachtergaele, um dos atores mais emblemáticos da sua geração. Além dele, a atriz Cássia Kis; Manuela Dias, autora da minissérie “Justiça” que estreia na Globo na segunda-feira, dia 22; e Vinícius Coimbra, diretor de grandes sucessos como ‘Liberdade, Liberdade’ e ‘Lado a Lado’, que ganhou o Emmy Internacional na categoria melhor telenovela, estão entre os confirmados desta temporada.

Na entrevista, Matheus revela que é com “técnica, pensamento e cultura” que consegue dar legitimidade a personagens complexos, arriscados e viscerais, que exigem dele uma atuação quase sempre vertiginosa.  “Os bons atores, na minha opinião, não trabalham com a emoção, mas com uma lembrança da emoção, ou com uma sensação da emoção que possa ser remontada, a partir da necessidade de um trabalho ou outro, ou de um personagem ou outro. E pra conseguir organizar isso é preciso técnica, não necessariamente técnica de ator, mas cultura”, explica o ator.

Aos 48 anos, Matheus é conhecido sobretudo pelos trabalhos no cinema, onde já fez mais de 30 filmes, e na televisão, em que coleciona personagens marcantes como o João Grilo, da minissérie ‘O Auto da Compadecida’, de Ariano Suassuna, apesar de ter começado no teatro. Matheus revela sua inspiração para a construção desse personagem improvável: João Grilo surgiu quando ele observava um menino, durante a gravação de um filme no Vale do Jequitinhonha. “As crianças começaram a conviver com a equipe do filme, e tinha um menino que tinha paralisia infantil, então ele tinha as perninhas bem magrinhas e era bem vesgo. As meninas vinham trazer os cadernos delas pra gente olhar, as poesias, os desenhos e quando ele trouxe o dele me surpreendeu, porque o dele era o mais legal, ele era o mais alfabetizado, o que desenhava melhor. Ele é o torto do Jequitinhonha e é o único cara que tá realmente sabendo ler, sabendo escrever, que tinha subjetividade nos escritinhos dele. E a gente decidiu fazer o João Grilo um pouco baseado nessa minha lembrança desse menininho do Jequitinhonha”, revela.

Mas nem sempre a composição de um personagem surge de forma tão lúdica. Para interpretar o personagem bíblico em ‘O livro de Jó’, uma das peças mais importantes da cena brasileira, Matheus decidiu ir a uma aula de dissecação de cadáveres do curso de Medicina da USP, e conta que viveu um processo doloroso para entender a morte e o sofrimento. “Eu era muito jovem pra entender que eu ia morrer.  Mesmo tendo vivido mortes próximas a mim desde cedo, a morte era quase uma ficção, algo que não ocorria com você. E era preciso que eu entendesse isso em mim. Eu não sabia como,  a não ser imaginando as mortes nas pessoas todas e tentando introjetar aquilo em mim”,  conta. Ele ainda complementa: “Aí um cara que estava me guiando por lá me levou num tanque azulejado, que ele abriu e era um tanque de fígados. No meio dos fígados, um bebê feto. Eu achei o Jó, no meio daqueles órgãos todos, o neném era o Jó.  A partir daí eu já comecei a ensaiar pelado e banhado de sangue, como aquele feto”, revela o ator.

A entrevista de Matheus Nachtergaele ao “Ofício em Cena” vai ao ar nesta terça-feira, dia 23, às 23h30, na GloboNews.