Realismo dá o tom em “Justiça”, nova minissérie da Globo

Foto: Globo/Estevam Avellar
Foto: Globo/Estevam Avellar

Para traduzir em imagem os dramas dos personagens de “Justiça”, o diretor José Luiz Villamarim firmou um compromisso com o realismo. É um conceito que está no texto da autora Manuela Dias, e reflete na fotografia que captura a crueza das cores de Recife, o figurino típico das ruas e a caracterização sem glamour. Vida real, vida que segue para personagens marcados por atitudes tomadas de maneira intempestiva, em situações-limite.

Desde o início das gravações, em maio, atores como Adriana Esteves, Cauã Reymond, Enrique Diaz, Angelo Antônio, Julia Dalavia, Marjorie Estiano, Vladimir Brichta, Luisa Arraes, Jéssica Ellen, Jesuíta Barbosa e Drica Moraes foram submetidos a uma verdadeira desconstrução de imagem. A encomenda do diretor pedia que qualquer artifício que afastasse os personagens da realidade ficasse fora do set. Por isso, a equipe trabalhou com o mínimo de maquiagem e um figurino com peças simples e despojadas. Nem mesmo as unhas das atrizes foram pintadas, à exceção das que trabalham no Snack Night Club, a sauna que ambienta um núcleo da trama.

Lu Moraes, a responsável pela caracterização, abraçou o desafio proposto por Villamarim e passou a olhar para o elenco buscando o que é simples. “Aqui não há brilho, tampouco cabelos com cara de festa. Tem gente com olheiras por noites mal dormidas. A história é fictícia, mas o que se sente ao conhecer os personagens é crível, humano, visceral”, esclarece. Outro desafio da caracterização também foi transitar entre os anos de 2009 e 2016. Como a gravação das cenas não segue uma ordem cronológica, a equipe buscou elementos que deixassem os personagens ora mais jovens, ora mais velhos, apesar da pequena passagem de tempo. Cauã Reymond, que interpreta o contador Maurício, ganhou mais fios brancos e óculos para aparentar mais idade. Já Luisa Arraes, que vive a professora Débora, usou uma franja nas sequências que mostram sua adolescência.

Uma questão crucial para a equipe de caracterização foi reproduzir as marcas que o tempo imprime em alguém que passa anos preso. A doméstica Fátima, por exemplo, personagem de Adriana Esteves, quando deixa a prisão depois de sete anos, aparenta uma pele sem frescor, maltratada pela tristeza. Para que essa carga dramática alcance o espectador, manchas foram aplicadas no rosto da atriz.

Já o figurino exigiu uma ampla pesquisa de campo de Cao Albuquerque e Natália Duran, para determinar exatamente como os tipos retratados na minissérie se comportam no cotidiano. Por isso, muita coisa foi comprada em Recife, em especial as peças do núcleo de Fátima (Adriana Esteves). “Trouxemos muita coisa em tecido sintético. O Cao foi a campo e eu fui às compras”, conta Natália.

O realismo também está impresso nas locações em Recife e nos cenários construídos nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, que respeitam as proporções de casas e apartamentos reais. Em Pernambuco, quase nada foi alterado nos ambientes escolhidos pela equipe. Ao sair da prisão, depois de sete anos preso, o ex-playboy Vicente (Jesuíta Barbosa) vai viver num apartamento simples do conhecido edifício Holiday, arquitetura colossal da cidade. O cenógrafo Fabio Rangel, conta que a equipe manteve o ambiente, no qual vivia uma família, praticamente intacto. “Não tiramos quase nada do lugar. Fiquei bastante impressionado ao ver os atores circulando naquele cenário. É muito realista”, observa Rangel.

Responsável pela produção de arte, Moa Batsow conta que comprou várias peças artesanais em Recife, que ajudaram a compor as casas recriadas em estúdio. Os veículos usados nas gravações também foram escolhidos a dedo. Na história, há uma empresa de ônibus, a GTransportes, e Waldyr (Ângelo Antonio), o marido de Fátima (Adriana Esteves), é motorista. Por isso, foi montada no Rio de Janeiro uma réplica da garagem usada como cenário em Recife – tanto o terminal como os veículos. “Além de adquirir um ônibus similar ao usado em Recife, trouxemos de Pernambuco uma jangada para ser usada em cenas de praia que estão sendo feitas aqui, especialmente as que mostram o quiosque de Celso (Vladimir Britcha) nos dias atuais”, conta Moa Batsow.

Prevista para estrear em agosto, “Justiça” é um convite a uma reflexão sobre questões humanas que envolvem valores morais, a partir de um olhar para quatro histórias – independentes, mas interligadas. No compasso de uma ciranda, as tramas se intercalam, e o público vai desvendando os fatos para montar um inquietante mosaico. Escrita por Manuela Dias, com a colaboração de Mariana Mesquita, Lucas Paraizo e Roberto Vitorino, a minissérie tem 20 capítulos e vai ao ar de segunda a sexta, com exceção das quartas. A direção artística é de José Luiz Villamarim, e a direção é de Luisa Lima, Walter Carvalho e Isabella Teixeira.

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