Sikêra Júnior e seu advogado são derrotados nas urnas
O “não ria, não”, bordão que ganhou as redes sociais nos últimos tempos, acabou combinando com o resultado eleitoral de Sikêra Jr. Candidato a deputado federal por São Paulo pelo Republicanos, o ex-apresentador da TV A Crítica recebeu 37.050 votos, terminou na 132ª colocação geral e ficou como oitavo suplente do partido. Entre os candidatos do Republicanos, foi o 14º mais votado. São Paulo elegeu 70 deputados federais.
O resultado colocou Sikêra entre as personalidades conhecidas da televisão que tentaram entrar na política em 2026, mas não conseguiram uma cadeira no Congresso. O desempenho foi registrado na apuração oficial da eleição.
A votação também mostrou a distância entre a popularidade conquistada por Sikêra na televisão e o número de votos necessários para garantir uma vaga na Câmara dos Deputados. Conhecido por um estilo de apresentação marcado pela cobertura de ocorrências policiais, humor e discursos de endurecimento contra a criminalidade, o apresentador popularizou expressões como “CPF cancelado”, utilizada em seu programa em referência à morte de suspeitos em confrontos policiais.
Agora, foi a vez de o apresentador enfrentar o julgamento das urnas. A candidatura não resultou em uma vaga em Brasília e deixou Sikêra na suplência.
Apoios de Tarcísio e Michelle Bolsonaro
Durante a campanha, Sikêra Jr. contou com o apoio de nomes de destaque da direita, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mesmo com o respaldo político e a notoriedade acumulada ao longo da carreira televisiva, o apresentador não alcançou uma das 70 vagas destinadas a São Paulo na Câmara dos Deputados.
O resultado foi destacado pela imprensa entre os casos de celebridades que disputaram as eleições de 2026 sem conseguir se eleger.
Sem despedida em Manaus
Antes de entrar na disputa eleitoral em São Paulo, Sikêra Jr. também deixou a televisão em Manaus sem uma despedida oficial ao público.
Em reportagem publicada pelo BNC Amazonas, foi informado que a última edição do “Alerta” apresentada por ele na TV A Crítica havia sido exibida em 2 de abril. Na época, a emissora ainda aguardava um possível retorno do apresentador para que ele pudesse se despedir dos telespectadores, o que acabou não acontecendo.
A saída encerrou uma passagem de grande repercussão pela televisão amazonense, onde Sikêra havia conquistado uma audiência expressiva e posteriormente ampliado sua projeção nacional com o “Alerta Nacional”.
De Palmares ao “Alerta Nacional”
Nascido em Palmares, Pernambuco, José Siqueira Barros Júnior começou a carreira no rádio ainda adolescente, aos 14 anos. Depois de passar por emissoras do Nordeste, chegou à televisão e posteriormente a Manaus, onde comandou o “Alerta”, na TV A Crítica.
O programa ganhou projeção nacional e deu origem ao “Alerta Nacional”, exibido pela RedeTV!, transformando Sikêra em uma das figuras mais conhecidas do jornalismo policial televisivo.
A carreira, entretanto, também foi marcada por controvérsias e disputas judiciais.
Em julho de 2026, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) manteve, por unanimidade, a condenação de Sikêra Jr. e da RedeTV! ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos em ações relacionadas a declarações consideradas discriminatórias contra a população LGBTQIA+. O Ministério Público Federal informou que as falas ocorreram no “Alerta Nacional”, em 2021.
Segundo o MPF, em um dos episódios, Sikêra associou a homossexualidade à pedofilia e ao uso de drogas ao comentar uma campanha publicitária do Burger King voltada à diversidade. Em outro episódio, também fez declarações relacionadas à chamada “ideologia de gênero”.
Da televisão para as urnas
A candidatura representava uma nova etapa na trajetória de Sikêra Jr., que buscava transformar a notoriedade conquistada na televisão em capital político.
A estratégia, porém, não resultou em uma cadeira na Câmara. Com 37.050 votos, o apresentador terminou como suplente do Republicanos.
A frase “não ria, não”, que durante sua trajetória televisiva esteve associada ao humor e à provocação, acabou ganhando um novo significado depois do resultado eleitoral.
Advogado de Sikêra também fica fora
Outro nome ligado ao apresentador também tentou entrar para a política, mas não conseguiu se eleger.
O advogado Dr. Rannieri Lopes, candidato a deputado estadual pelo PSDB em Goiás, recebeu apenas 534 votos e terminou como suplente. De acordo com os dados da apuração eleitoral, ele ficou na 273ª posição entre os candidatos ao cargo.
Assim como Sikêra Jr., Rannieri não conseguiu transformar a visibilidade pública associada à sua atuação profissional em uma vaga no Legislativo.
No fim das contas, a eleição de 2026 marcou uma mudança de cenário para Sikêra: depois de anos acostumado a comandar programas de televisão e a provocar reações com seus bordões, foi o próprio apresentador quem acabou submetido ao resultado das urnas — e, desta vez, o “veredicto” foi a suplência.
Conheça Sikêra Júnior:
