Assessores e suas cartas marcadas: a revolta da imprensa
Quando a imprensa é lembrada apenas quando o assunto já virou problema, quem perde é a informação.
Nos bastidores do jornalismo e do entretenimento, cresce uma reclamação entre profissionais da imprensa: a postura de algumas assessorias de comunicação que parecem trabalhar apenas com “cartas marcadas”, escolhendo previamente quais veículos e jornalistas terão acesso a determinadas informações, entrevistas e personagens.
O problema se torna ainda maior quando veículos e profissionais que trabalham diariamente na cobertura dos acontecimentos são deixados de lado, enquanto determinados influenciadores e páginas digitais recebem prioridade.
É claro que as redes sociais ganharam força e hoje são uma importante ferramenta de comunicação. Mas isso não significa que a imprensa profissional perdeu seu valor.
Jornalistas, apresentadores, repórteres, fotógrafos e veículos de comunicação dedicam tempo, estrutura e credibilidade para divulgar acontecimentos, histórias e personagens. Muitas vezes, são esses mesmos profissionais que ajudam a construir a repercussão de uma pauta.
A crítica não é contra o digital. Pelo contrário: redes sociais e imprensa podem caminhar juntas. O que incomoda é quando a assessoria procura os veículos tradicionais somente quando precisa de espaço, repercussão ou quando “a coisa pega fogo”.
Quando tudo está tranquilo, a imprensa fica de fora. Quando surge uma crise, uma polêmica ou uma situação que precisa ser esclarecida, aparecem os pedidos de divulgação, entrevistas e espaço.
Para muitos profissionais, comunicação deveria ser baseada em respeito, transparência e relacionamento, e não em privilégios ou listas previamente definidas.
No fim das contas, assessoria de imprensa existe para aproximar fontes e veículos. E quando essa ponte é construída apenas com alguns escolhidos, quem perde não é somente o jornalista: perde também o público, que deixa de ter acesso a diferentes versões e informações.
A imprensa não quer privilégio. Quer respeito, acesso e valorização profissional.
Porque quando a informação é importante, não dá para lembrar da imprensa somente quando o incêndio já começou.
