Com salário de R$ 100 mil, Murilo Fraga é recontratado com a missão de tirar o SBT da falência

Com salário de R$ 100 mil, Murilo Fraga é recontratado com a missão de tirar o SBT da falência

O Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) anunciou o retorno de Murilo Fraga ao comando da programação da emissora após dois anos. Com salário estimado em R$ 100 mil mensais, o executivo reassume o cargo de diretor de programação com a missão de reverter a crise de audiência e reposicionar o canal no mercado.

A recontratação foi articulada por Leon Abravanel, que teve papel decisivo na volta de Fraga. O executivo havia deixado a emissora em setembro de 2024, após 20 anos de serviços prestados, em meio a divergências com a gestão de Daniela Beyruti, atual presidente do SBT e filha de Silvio Santos.

Além de retomar a direção de programação, Murilo Fraga também acumulará a função de diretor artístico, passando a ter autonomia para contratar e demitir artistas, além de promover mudanças mais amplas na grade da emissora.

Fraga assume o posto anteriormente ocupado por Mauro Lissoni, que foi desligado após uma gestão marcada por queda significativa de audiência e críticas internas e externas. Lissoni havia assumido o cargo em 2024, substituindo o próprio Fraga, após passagem pela Rede Massa, afiliada do SBT no Paraná, onde atuava como braço direito do apresentador Ratinho.

Durante sua gestão, o SBT registrou uma queda de aproximadamente 30% nos índices de audiência. A programação passou por mudanças drásticas, com o cancelamento de atrações de entretenimento e a ampliação do jornalismo, especialmente de cunho policial. Programas passaram a ocupar cerca de 14 horas diárias da grade, incluindo reprises de reportagens exibidas até seis vezes no mesmo dia.

A reformulação também retirou do ar conteúdos tradicionais da emissora, como seriados e atrações consagradas, entre eles “Chaves”, “As Visões da Raven” e “Eu, a Patroa e as Crianças”, além de filmes, novelas mexicanas, produções infantis e programas de auditório.

Os números de audiência reforçam o cenário de crise. Em setembro de 2024, o SBT registrava 3,0 pontos de média 24 horas na Grande São Paulo. Já em março de 2026, o índice caiu para 2,2 pontos, representando uma retração de cerca de 30%.

Além disso, em algumas capitais brasileiras, a situação é ainda mais crítica. Em cidades como Brasília, Porto Alegre, Belém e Rio de Janeiro, a emissora enfrenta dificuldades para atingir 1,0 ponto de audiência, chegando a zerar os índices do Ibope na faixa da manhã, entre 6h e 12h.

Nas redes sociais, telespectadores passaram a criticar a falta de identidade do canal, apontando que a emissora teria copiado a Record, com forte presença de jornalismo policial e pouco entretenimento na programação diária.

A crise de audiência também impactou o faturamento. Atualmente, o SBT enfrenta dificuldades para atrair anunciantes, chegando a ficar longos períodos sem intervalos comerciais. Em diversos momentos do dia, a emissora ocupa a quarta colocação no ranking do Ibope, atrás de Globo, Record e Band, com índices que raramente ultrapassam os 2 pontos.

A pressão sobre Mauro Lissoni vinha não apenas da direção em São Paulo, mas também das afiliadas, preocupadas com a queda de desempenho e seus reflexos comerciais. Desde o ano passado, o SBT também tem registrado a saída frequente de profissionais para emissoras concorrentes.

Em mensagem de despedida enviada a colaboradores, Lissoni agradeceu à equipe e destacou seu empenho durante a gestão. “Pessoal, fiz tudo o que estava ao meu alcance, me dediquei de verdade e não medi esforços para que desse certo. Obrigado pela parceria, pelo aprendizado e por tudo o que construímos juntos até aqui. Desejo sinceramente muito sucesso pra vocês. Que Deus abençoe”, escreveu.

Com a volta de Murilo Fraga, a expectativa é de uma nova reformulação na grade e a tentativa de reconectar o SBT com seu público tradicional.

Conheça Murilo Fraga:

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