Igreja Universal cancela contrato com a Band e faz emissora perder R$ 48 milhões
A TV Bandeirantes (Band) sofreu um duro golpe financeiro com a decisão da Igreja Universal do Reino de Deus de encerrar o contrato de compra de horários em sua programação. A instituição religiosa, liderada pelo bispo Edir Macedo, deixará a grade da emissora no próximo dia 20 de novembro, provocando uma perda estimada em R$ 4 milhões mensais, o equivalente a R$ 48 milhões por ano, caso a receita não seja substituída.
A decisão representa um importante desfalque no faturamento da emissora comandada por Johnny Saad, especialmente em um momento em que o mercado de televisão aberta enfrenta dificuldades para atrair novos anunciantes e manter contratos comerciais de longo prazo.
Atualmente, a Igreja Universal ocupa diariamente a faixa das 2h às 8h da manhã, totalizando seis horas de programação religiosa. O acordo foi firmado em setembro de 2025, inicialmente para transmissões entre 2h e 6h, sendo posteriormente ampliado.
Segundo informações divulgadas pelo jornalista Flávio Ricco, do portal LeoDias, a decisão de encerrar a parceria partiu da própria instituição religiosa, que vem adotando medidas de contenção de despesas e revisão de seus compromissos financeiros.
Igreja Universal também deve abandonar CNT e Canal 21
A saída da Band pode ser apenas o começo de uma mudança ainda maior no mercado televisivo brasileiro.
De acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira (4) pelo jornalista Sandro Nascimento, do portal NaTelinha, a Igreja Universal também pretende encerrar seus contratos de transmissão com a CNT (Central Nacional de Televisão) e o Canal 21, emissora pertencente ao Grupo Bandeirantes.
Fontes ouvidas pelo portal afirmam que as duas emissoras já teriam sido comunicadas sobre a intenção da instituição religiosa de não renovar os acordos para 2027.
Caso as decisões sejam concretizadas, CNT e Canal 21 também poderão enfrentar dificuldades para substituir a receita proveniente da venda de horários para a igreja de Edir Macedo.
A situação preocupa principalmente o Canal 21, que mantém grande parte de sua programação destinada à transmissão de cultos e conteúdos religiosos.
Redes sociais e YouTube ameaçam contratos milionários da televisão
Um dos principais fatores por trás dessa mudança é o crescimento das plataformas digitais, que oferecem às instituições religiosas alternativas mais econômicas para alcançar milhões de fiéis.
Com a popularização do YouTube, Instagram, Facebook e outras redes sociais, igrejas passaram a investir cada vez mais em transmissões próprias, sem a necessidade de desembolsar milhões de reais para ocupar espaços nas emissoras de televisão aberta.
A Igreja Universal, por exemplo, já reúne aproximadamente 1,8 milhão de inscritos no YouTube, quase 2 milhões de seguidores no Instagram e cerca de 4 milhões no Facebook.
Esse novo cenário coloca em xeque um modelo de negócios que, durante décadas, garantiu receitas milionárias para emissoras como Band, RedeTV!, CNT e Canal 21.
A venda de horários para instituições religiosas sempre representou uma fonte importante de faturamento, especialmente durante as madrugadas, período marcado por baixos índices de audiência e menor interesse dos anunciantes tradicionais.
Agora, com as igrejas priorizando investimentos digitais, encontrar novos interessados nesses espaços pode se transformar em um desafio para as emissoras.
Band deverá recorrer a reprises para preencher programação
Com a saída da Igreja Universal, a Band precisará reorganizar seis horas diárias de sua grade.
Inicialmente, a estratégia será preencher o espaço deixado pela instituição com reprises de programas já exibidos pela emissora, evitando novos investimentos em produções para a madrugada.
A possibilidade de negociar os horários com outras instituições religiosas surge como uma alternativa para recuperar parte da receita perdida. Entretanto, o cenário não é favorável, já que outras igrejas também estão reduzindo investimentos na televisão tradicional.
A Band terá o desafio de encontrar uma solução comercial capaz de compensar os aproximadamente R$ 4 milhões mensais que deixará de receber.
Sem um novo contrato de valor equivalente, a perda poderá alcançar R$ 48 milhões ao longo de 12 meses, uma quantia expressiva para o orçamento de qualquer emissora de televisão.
A decisão da Igreja Universal também acende um alerta para o futuro da TV aberta brasileira, que enfrenta a concorrência crescente das plataformas digitais e pode perder uma de suas principais fontes históricas de faturamento: a comercialização de horários para programação religiosa.
Até a publicação das reportagens que divulgaram as mudanças, Band e Igreja Universal não haviam apresentado posicionamento oficial sobre os possíveis encerramentos dos contratos com a CNT e o Canal 21.
