N Sports processa o SBT e cobra dívida de R$ 40 milhões na justiça

N Sports processa o SBT e cobra dívida de R$ 40 milhões na justiça

O SBT foi acionado pela N Sports na Justiça de São Paulo na última sexta-feira (11/09), em uma disputa envolvendo valores relacionados ao consórcio responsável pela transmissão da Copa do Mundo de 2026. A empresa esportiva afirma que a emissora deixou de repassar parte das receitas obtidas com patrocínios e ativações comerciais negociados durante o projeto.

Segundo a N Sports, a dívida ultrapassa atualmente R$ 40 milhões. No processo, a empresa também solicita o bloqueio de valores nas contas do SBT como forma de garantir o pagamento do montante que considera devido.

A parceria entre as empresas envolveu a transmissão de 32 partidas do Mundial na televisão aberta e paga, além da participação de 12 marcas patrocinadoras. Conforme os termos apresentados no processo, as receitas comerciais deveriam ser divididas entre as partes, com 74% para o SBT e 26% para a N Sports.

A N Sports, porém, afirma que parte dos pagamentos realizados diretamente ao SBT por patrocinadores e anunciantes não teria sido repassada dentro dos prazos estabelecidos em contrato.

“O SBT centralizou a arrecadação dos valores pagos por patrocinadores e anunciantes e passou a reter dinheiro alheio”, diz um trecho do documento apresentado pelo escritório Melman Advogados.

Dívida já teria sido reconhecida pelo SBT

De acordo com a N Sports, o impasse não seria recente. A empresa afirma que as divergências já haviam sido discutidas entre as partes e chegaram a resultar em um aditamento ao contrato original.

Nesse documento, segundo a acusação, o SBT teria reconhecido uma dívida que, naquele momento, chegava a R$ 17 milhões. Ainda de acordo com a N Sports, mesmo após o acordo, novos valores teriam deixado de ser repassados.

A situação teria se agravado nos últimos dias. A empresa afirma que o SBT não realizou, em 10 de setembro, parte de um pagamento referente à dívida anteriormente reconhecida.

A N Sports também acusa a emissora de não fornecer documentos e informações relacionados à comercialização das cotas de patrocínio, o que, segundo a companhia, teria dificultado a conferência das receitas que deveriam ser compartilhadas.

Parceria envolveu US$ 25 milhões

SBT e N Sports fecharam uma parceria para adquirir, juntas, os direitos de transmissão de 32 partidas da Copa do Mundo de 2026. O acordo teria envolvido um investimento de US$ 25 milhões e foi firmado com a LiveMode, responsável pelos direitos do torneio e ligada à CazéTV.

Com o processo, a N Sports busca na Justiça medidas para assegurar o recebimento dos valores que considera devidos. O pedido de bloqueio de contas ainda será analisado pelo Judiciário, assim como as demais alegações apresentadas pelas partes.

Galvão Bueno rompe com N Sports após processo contra o SBT

A disputa também provocou uma ruptura envolvendo Galvão Bueno, sócio da N Sports. O narrador decidiu encerrar sua parceria com a empresa após discordar da decisão de levar o SBT à Justiça.

Em uma carta enviada às filhas de Silvio Santos e à diretoria da emissora, Galvão afirmou que sempre defendeu uma solução negociada para o impasse e manifestou seu desejo de continuar profissionalmente ligado ao SBT.

O narrador explicou que seu acordo com a N Sports previa a integralização de sua participação na empresa, mas afirmou que abrirá mão desse processo caso a divergência com o SBT avance para um litígio.

Galvão também declarou ter ressalvas em relação a decisões estratégicas e financeiras da N Sports, mas destacou que sua principal discordância está na maneira como a empresa decidiu conduzir a questão comercial envolvendo a Copa do Mundo.

Para o narrador, conflitos entre parceiros deveriam ser solucionados por meio de diálogo e negociação, e não nos tribunais.

“Para mim, divergências entre parceiros se resolvem com diálogo e negociação — não na Justiça”, afirmou Galvão na carta.

Ele também disse ter sido surpreendido ao saber que uma medida judicial havia sido apresentada enquanto executivos das duas empresas ainda mantinham conversas para tentar chegar a um acordo.

O narrador afirmou ainda que foi contrário às notificações extrajudiciais encaminhadas ao SBT, às agências e aos clientes envolvidos no projeto.

“A TV do Galvão”

Na carta, Galvão demonstrou preocupação com a associação de sua imagem à disputa judicial. Segundo ele, para parte do público e do mercado, a N Sports é conhecida como “a TV do Galvão”.

Por esse motivo, o narrador afirmou não aceitar que a empresa seja associada à ideia de que estaria processando o SBT após o sucesso da parceria na Copa do Mundo.

“Isso não representa minha posição nem a maneira como construí minha carreira”, declarou.

Ao final da mensagem, Galvão reforçou o desejo de que as partes encontrem uma solução por meio do diálogo e possam continuar trabalhando juntas em novos projetos.

O SBT ainda deverá apresentar sua manifestação no processo, e a disputa seguirá sob análise da Justiça de São Paulo.

 

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