Carla Fioroni e a criação de Ernestina e Matilde em Chiquititas

Carla Fioroni e a criação de Ernestina e Matilde em Chiquititas

Em 2013, o SBT exibiu o remake de Chiquititas, escrito por Íris Abravanel. A produção trouxe de volta personagens marcantes como Júnior, Carolina, Milena e Mosca, apresentando-os a mais uma geração de telespectadores.

Entre os principais destaques da trama está a atuação versátil de Carla Fioroni, que deu vida às irmãs gêmeas Ernestina e Matilde. Nesse sentido, a primeira se destacava pelo comportamento rígido ao disciplinar as órfãs do Orfanato Raio de Luz, ainda que revelasse um coração generoso. Já a segunda chamava atenção pelo sarcasmo e pela ambição gananciosa.

Em entrevista exclusiva, a atriz relembra a construção das personagens, comenta os desafios dos bastidores e reflete sobre o sucesso duradouro da novela.


O nascimento de Ernestina e Matilde

Para interpretar Ernestina, Carla Fioroni buscou inspiração em Gru, protagonista da animação Meu Malvado Favorito. Assim como o personagem, que abandona gradualmente a postura de vilão ao descobrir o afeto de três meninas, a zeladora do orfanato revela, ao longo da trama, um lado sensível e acolhedor por trás da rigidez inicial.

Além disso, a construção da personagem contou com referências da técnica de clown, utilizadas para desenvolver as reações, a expressividade e a lógica de pensamento de Ernestina. Como resultado, essas características contribuíram para ampliar o carisma dela junto ao público.

“Trabalhei na criação de Ernestina com muitas técnicas e fico feliz porque o público gostou do resultado”, afirma.

Por outro lado, Matilde surgiu a partir de uma proposta completamente diferente. Segundo Carla Fioroni, a personagem nasceu para agir sem qualquer preocupação moral, movida exclusivamente por interesses próprios.

“Contudo, tratava-se de construir uma vilã de novela infantil. E qual seria a melhor forma de fazer isso? Encontrei no humor ácido e na pouca paciência características que desenvolvi como pilares. Felizmente, o público também a aprovou”, celebra.

Da mesma forma, a atriz relembra que a construção da gêmea má aconteceu gradualmente. Para isso, a cada cena, procurava equilibrar emoções, sempre guiada pela chamada “verdade cênica”.


Desafios nos bastidores

Ao longo de quase dois anos e meio, Carla Fioroni integrou o elenco de Chiquititas em um dos períodos mais intensos de sua trajetória profissional. As gravações seguiam uma rotina exigente, com jornadas de seis dias por semana e uma média de cerca de 30 cenas gravadas diariamente.

Ainda assim, a atriz define essa fase como especial e guarda com carinho suas lembranças. Apesar do cansaço e da rotina puxada, ela destaca que os desafios foram superados com muito amor.

“Guardo vários momentos no meu coração! Amei fazer essa novela”, recorda.


Vida real e ficção

Ao longo da carreira, atores e atrizes interpretam inúmeros papéis. Alguns se aproximam de suas próprias personalidades, enquanto outros seguem caminhos completamente distintos. Carla Fioroni se encaixa neste segundo caso. Ao analisar Ernestina e Matilde, a atriz afirma não identificar traços em comum entre as personagens e sua própria essência.

“Sou racional, relativamente calma e equilibrada”, compara.

Gêmeas. Foto Divulgação/SBT.


Personagens que atravessam gerações

A atriz não esconde a admiração pelas gêmeas de Chiquititas e as considera os grandes destaques da trama. Nesse sentido, destaca que a dupla proporciona ao público uma experiência completa, despertando emoções que transitam entre humor e reflexão.

“Elas fazem rir, pensar, refletir, torcer e também provocam irritação, surpresa, paixão e até revolta”, complementa.

Por fim, Carla Fioroni considera que o carinho dos fãs é o principal fator por trás da longevidade de Chiquititas no imaginário popular, mesmo mais de uma década após sua exibição.

“Acredito que essa novela seja uma daquelas obras que transcendem e se tornam eternas. Afinal, como sempre digo, isso só ocorre porque o público decidiu que seria assim. Foram as pessoas que transformaram o nosso trabalho em um estrondoso sucesso. Por isso, tenho imenso carinho e gratidão aos nossos maravilhosos fãs”, finaliza.


Sobre a técnica de clown

A técnica de clown é um método de atuação que valoriza o humor, a espontaneidade e a expressividade no teatro e na performance. Nesse contexto, ela não apenas provoca risos, como também explora a vulnerabilidade, a honestidade emocional e a conexão direta com o público.

Além disso, a partir da entrega sincera do ator a situações cotidianas ou até mesmo absurdas, a técnica utiliza corpo, voz, gestos e tempo cênico para criar personagens que são, ao mesmo tempo, engraçados, humanos e cativantes. Por esse motivo, entre seus princípios centrais, destaca-se a aceitação do erro, uma vez que falhas e imprevistos são transformados em material dramático ou cômico, o que fortalece ainda mais a autenticidade da interpretação.


Ernestina se despede do orfanato

 

Matilde maltrata Vivi

O reencontro das gêmeas

 

O retorno de Ernestina ao Raio de Luz


Sobre Chiquititas (2013)

A versão de 2013 de Chiquititas foi reprisada pelo SBT em três ocasiões: 2016, 2020 e 2023. Ao longo dessas exibições, a trama acompanhou um grupo de crianças órfãs no orfanato Raio de Luz, onde enfrentam desafios cotidianos, constroem laços de amizade e aprendem lições sobre união e solidariedade. Nesse sentido, o espírito de aventura também conduz a busca pelo verdadeiro significado de família.

Assim, a protagonista Carolina (Carol) ocupa papel central na narrativa, ao orientar os órfãos e vivenciar sua própria jornada de amadurecimento e descoberta do amor.

O remake de 2013 representa a segunda adaptação brasileira da obra argentina criada por Cris Morena. Anteriormente, o SBT já havia produzido uma versão nacional em 1997, posteriormente reprisada em 2004. Atualmente, ambas as versões estão disponíveis no +SBT, enquanto a produção mais recente também integra o catálogo da Netflix, somando um total original de 545 capítulos.


Trajetória profissional de Carla Fioroni

Com 30 anos de carreira artística, Carla Fioroni atua como atriz, diretora, produtora e professora de teatro, com aulas em formato online. Formada em Artes Cênicas, ganhou destaque no teatro ao integrar o elenco da comédia Trair e Coçar É Só Começar, peça que permaneceu em cartaz por mais de seis anos.

Na televisão, a atriz participou de produções como Psi (HBO) e O Amor Está no Ar (Globo). Além disso, atuou como repórter na Band, ampliando sua experiência em diferentes formatos audiovisuais. Paralelamente, desenvolve projetos voltados ao público infantil, como o espetáculo HH ao Vivo, que incentiva a leitura entre crianças.

Ao longo de sua carreira, Carla Fioroni integrou o elenco de diversas novelas de destaque. Sua estreia na teledramaturgia ocorreu em O Amor Está no Ar (1997, Globo). Posteriormente, consolidou presença no SBT com papéis em Marisol (2002), Jamais Te Esquecerei (2003), Seus Olhos (2004) e, sobretudo, em Chiquititas (2013–2015).

Entre seus trabalhos mais recentes, gravou a novela vertical Casamento Relâmpago, na qual voltou a atuar ao lado de Lívia Inhudes, intérprete da Vivi em Chiquititas.

Foto Divulgação/Carla Fioroni.

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