Patati Patatá: quando o marketing veste a fantasia

Patati Patatá: quando o marketing veste a fantasia

Atenção: a entrevista está disponível em formato de fotorreportagem no Instagram @vi_textos, publicada em 02/10/2025. Posteriormente, o conteúdo foi atualizado no portal Bastidores da TV.


Um acidente nos bastidores de um espetáculo com cerca de 10 mil pessoas abriu as portas para uma trajetória de quase três décadas no entretenimento infantil brasileiro. Chamado de última hora por Rinaldi Faria para substituir um dos intérpretes do Patati Patatá, Márcio Duarte entrou em cena sem ensaio e, a partir dali, iniciou uma longa relação com a marca, da qual também se tornaria diretor de marketing anos depois.


O improviso que mudou tudo

Em 1996, durante uma apresentação de clown no aniversário de sua prima, Márcio chamou a atenção de um convidado: um intérprete do personagem Patatá, sobrinho de Marcos Pagé, artista que interpretou o Palhaço Bozo e integrou o grupo musical Super Feliz.

Logo após a apresentação, o ator se aproximou e iniciou uma conversa. Surpreso com a performance de Márcio e, sobretudo, com a semelhança vocal em relação ao intérprete do personagem Azul do Super Feliz, decidiu apresentá-lo ao tio. Aquele encontro, por sua vez, acabaria se tornando decisivo para os rumos de sua carreira.

Na época, Marcos Pagé também integrava a banda Super Feliz, na qual interpretava o personagem Amarelo. Ao conhecer Márcio, percebeu que o jovem poderia ser aproveitado artisticamente e, assim, decidiu avaliá-lo mais de perto. Durante um breve teste de voz, confirmou a semelhança com o intérprete do personagem Azul e passou a considerá-lo para futuras oportunidades.

Com isso, Márcio ficou à disposição da banda infantil e passou a ser uma das opções para eventuais substituições.


A oportunidade inesperada

Foi justamente nessa condição que ele compareceu a um evento que reunia o Super Feliz e o Patati Patatá. Sua presença estava, naquele momento, ligada exclusivamente ao primeiro grupo, sem qualquer previsão de participação no espetáculo da dupla de palhaços.

Cerca de 15 minutos antes do início da apresentação, um dos intérpretes do Patati sofreu um acidente e ficou impossibilitado de subir ao palco. Diante disso, a produção entrou em alerta e passou a buscar uma solução imediata para evitar o cancelamento da atração.

Nesse cenário, o artista que interpretava o Patatá indicou Márcio como alternativa. A decisão foi tomada em poucos minutos.

Sem qualquer preparação, ele entrou em cena às pressas e assumiu o lugar do artista ausente. Assim, aquilo que parecia apenas uma substituição emergencial acabou marcando o início de sua trajetória no Patati Patatá.

“O Rinaldi Faria olhou para mim e perguntou se eu conhecia o grupo. Como eu já sabia várias músicas, disse que fazia. Então vesti a fantasia gigante, tropecei, caí, deixei a cartola cair e o público achou que era parte do show”, recorda.

Pouco depois, Márcio aprendeu o repertório em menos de 10 minutos e, embora tenha se confundido em alguns momentos da apresentação, a equipe o aprovou. Dessa forma, passou a integrar oficialmente o grupo Patati Patatá.

“Quando surgiu a oportunidade de interpretá-lo, eu não estava apenas assumindo um personagem. Eu estava realizando um dos maiores sonhos da minha vida”, revela.


Carinho pelo meio artístico

Desde muito cedo, Márcio demonstrava paixão pelo universo infantil. Estudou piano, canto e teatro, além de colecionar discos infantis e se interessar pela história dos personagens, programas e músicas que marcaram gerações.

Assim, o menino que sonhava em pertencer ao universo do entretenimento viveu um divisor de águas após aquela atuação. Na sequência, deixou de lado a carreira de administrador de empresas e, movido pelo projeto de Rinaldi Faria, decidiu mergulhar definitivamente nesse novo caminho.

Posteriormente, deixou os palcos como personagem e passou a atuar nos bastidores. Nesse novo ciclo, acumulou experiências que se consolidaram como base de sua formação profissional.


O mestre de Márcio

A relação com Rinaldi Faria teve papel central em toda essa trajetória. Ao aceitar trabalhar ao lado do empresário, no início de suas carreiras, Márcio abriu mão da estabilidade financeira e enfrentou um período de grandes dificuldades, incluindo dois anos sem salário, dúvidas sobre o sucesso do projeto e até momentos de fome.

Em contrapartida, compreendeu que, próximo a ele, poderia aprender sobre empreendedorismo, construção de marcas, comunicação e negócios em uma escala capaz de transformar completamente sua trajetória profissional.

“Foi uma das decisões mais importantes da minha vida”, destaca.

Ao mesmo tempo, passou a aprender produção televisiva com padrão de grande emissora, mesmo com recursos limitados.

“Falar do Rinaldi é falar de emoção e gratidão. Aprendi a fazer muito com pouco. Por isso, sempre digo que fui a primeira pessoa a amar os personagens quando ainda não havia sucesso nem retorno financeiro. Quem ama na dificuldade entende o valor real disso”, emociona-se.

 

Aluno e professor. Foto Divulgação/Márcio Duarte.


Informação exclusiva

Mesmo após décadas de amizade, respeito e convivência, Márcio nunca havia pedido um autógrafo a Rinaldi Faria. Mais tarde, em 2021, quando retornou à marca para assumir a direção de marketing, decidiu levar alguns objetos que guardava havia muitos anos. Entre eles estavam CDs, DVDs e dois cofrinhos do Patati e do Patatá, recebidos durante um encontro em Orlando.

Ao apresentar os itens a Rinaldi Faria, o empresário sorriu. Em seguida, Márcio recorda que, embora não tenha sido o primeiro intérprete do Patati, tinha certeza de uma coisa: foi o primeiro a amar aquele personagem. Para ele, então diretor de marketing, o palhaço nunca foi apenas uma figura artística, mas, sobretudo, a materialização de um sonho de infância.

“Nesse dia, Rinaldi se emocionou. Pegou um daqueles objetos e escreveu uma dedicatória que guardo até hoje. Uma frase simples, mas que talvez represente uma das maiores honras da minha trajetória: ‘Ao meu primeiro Patati’”, revela.

 

Com o item de colecionador autografado. Foto Divulgação/Márcio Duarte.


O maior desafio

Desde o início, a trajetória da marca apresentou obstáculos significativos. Naquele período, os recursos eram escassos e as condições de produção bastante limitadas. Ainda assim, Márcio afirma que o projeto se manteve ativo graças ao esforço coletivo e à persistência da equipe.

Como resultado dessa trajetória, ficou uma lição marcante:

“O sucesso não depende apenas de recursos, mas da determinação de fazer o melhor com o que se tem”, reflete.


O retorno e a expansão digital

Após duas décadas afastado, Márcio retornou ao Patati Patatá como diretor de marketing. Nesse contexto, encontrou uma marca já consolidada, porém em processo de adaptação aos novos formatos de consumo infantil. A partir disso, aproximou o projeto do universo circense e, ao mesmo tempo, ampliou a presença da marca no ambiente digital, com foco em plataformas como o TikTok.

“Já éramos gigantes no YouTube. Em menos de 30 dias, chegamos a 1,4 milhão de seguidores no TikTok. Isso mostrou a força da marca e a importância de estar nas novas plataformas”, destaca.


A fórmula do sucesso

Para Márcio, o sucesso da dupla está diretamente ligado à autenticidade. Nesse sentido, os personagens foram construídos com um propósito claro: transmitir amor, alegria, valores familiares e uma nova estética do palhaço infantil.

Além disso, ele compara o fenômeno Patati Patatá ao auge de Xuxa nas décadas de 1980 e 1990, ressaltando que, assim como a “rainha dos baixinhos”, a dupla se tornou referência entre o público infantil.

“Existe respeito pela marca e pela plateia. Inclusive, o ‘Respeitável Público’ faz parte do nosso DNA”, afirma.

Quando entrou no projeto, a marca ainda era pouco conhecida. Na época, porém, ele deixou uma carreira promissora para apostar no crescimento da dupla. Por isso, essa decisão gerou desconfiança até entre amigos próximos, que duvidaram da escolha e chegaram a rir ao ouvir o nome dos personagens.

Atualmente, contudo, o cenário é completamente diferente.

“Todos querem estar perto”, finaliza.

 

Um dia de trabalho no entretenimento infantil. Foto: Divulgação/Patati Patatá.


Trajetória profissional

Márcio Duarte é especialista em posicionamento estratégico e alavancagem de negócios, com 30 anos de atuação em comunicação e marketing.

Sua trajetória profissional teve início em 1996 na marca Patati Patatá. Posteriormente, retornou à empresa em 2021 como diretor de marketing, função que exerceu até 2023. Nesse período, também foi responsável pelo marketing do Aquário de São Paulo entre 2006 e 2020, liderando estratégias que geraram mais de R$ 20 milhões em mídia espontânea e impactaram cerca de 6 milhões de pessoas.

Além disso, entre 2001 e 2024, comandou sua própria agência de marketing e assessoria de imprensa, atendendo empresas e personalidades. Entre seus clientes, destacam-se artistas do elenco infantil de Chiquititas do início dos anos 2000 e Samuel Costa, ator dos filmes do Menino Maluquinho nos anos 90. Paralelamente, atuou como apresentador nos portais UOL e Jovem Pan Online. Além disso, assinou coluna no Propmark.

Ao longo desse percurso profissional, consolidou-se também como palestrante na área de posicionamento estratégico, contribuindo para a transformação de empresas e figuras públicas. Por fim, em 2025, assume o cargo de CMO da Pentagrama Company, voltada à inovação e à estratégia empresarial.


Atuação com artistas mirins

Segundo Márcio, antes do trabalho que desenvolvia, não havia na mídia uma atuação estruturada de assessoria de imprensa voltada a artistas mirins. Nesse contexto, ele afirma que essa iniciativa abriu espaço para que esses profissionais passassem a ser tratados como artistas no meio midiático.

O ponto de virada, por sua vez, ocorreu a partir de um evento produzido para uma de suas clientes, a jovem Michelle Giudice, que participava do Bom Dia e Companhia ao lado de Jackeline Petkovic. A festa, realizada com apoio de patrocinadores e posteriormente publicada na revista Caras, ganhou grande repercussão.

Com a visibilidade alcançada, a atuação com crianças na mídia ganhou força e, consequentemente, passou a atrair novos clientes de forma espontânea, consolidando o escritório nesse segmento.

O entrevistado. Foto Divulgação/Márcio Duarte.


Músicas

Estreia no Bom Dia & CIA, em 2011

 

No Bom Dia & CIA 2025

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