Por que Lula usou chapéu durante entrevista na TV Globo?
Um detalhe chamou atenção durante a sabatina de Lula à TV Globo nesta quinta-feira (27/08): o chapéu-panamá que o presidente usava. De acordo com o Google Trends, o termo “por que Lula está usando chapéu” registrou um pico de buscas justamente durante a entrevista.
No dia 17 de agosto, durante o discurso no evento de abertura oficial de sua campanha à reeleição, o presidente afirmou que tem usado chapéu por causa da radioterapia para tratar um câncer de pele na cabeça. O petista ainda acrescentou que, apesar das recomendações médicas para que não tomasse sol, iria tirar a peça para os apoiadores que estavam presentes no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.
— Eu quero dizer que estou de chapéu, primeiro porque eu gosto de chapéu, mas hoje é porque eu fiz radioterapia na cabeça para cuidar de um câncer de pele e não posso tomar sol na cabeça. Mas eu quero dizer para vocês que eu vou ousar (arriscar) a minha saúde e vou tirar o chapéu para todos vocês — afirmou o presidente.
Pela primeira vez em sua carreira política, Lula decidiu posar para a foto que aparece na urna eletrônica para o eleitor de chapéu panamá. O GLOBO mostrou que aliados temem questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Lula tem usado chapéu panamá desde que retirou um câncer de pele, em abril, por recomendação médica. Após o procedimento, ficou com um curativo e fez 15 sessões de radioterapia. Lula adotou o adereço para evitar sol no local do procedimento. O presidente tem uma coleção do adereço e tem usado no Palácio do Planalto. Também apareceu com ele no pronunciamento pelo Dia do Trabalhador, em 1º de maio.
É incomum candidatos registrarem fotos de urna com o adereço, mas a campanha levantou outros casos, na hipótese de questionamentos jurídicos. Em 2022, o TSE considerou que boné é adereço cultural de uma pessoa e autorizou que o candidato a deputado federal Douglas Belchior (PT-SP) utilize o item em sua foto de urna.
Na época, o caso chegou ao TSE por meio de um recurso apresentado pela defesa do então candidato. Quando apresentou o seu registro de candidatura, Belchior juntou ao processo uma foto em que aparece ostentando um boné de aba reta. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, no entanto, barrou o uso do chapéu, por entender que se tratava de um mero “elemento cênico”.
Ao analisar o caso, o TSE apontou que em que pese a avaliação feita pelo tribunal regional entre “adorno e indumentária”, o uso do boné pelo candidato, “neste caso específico, não atrapalha a visualização do seu rosto nem dificulta o seu reconhecimento pelo eleitor”, o que atende aos requisitos previstos nas regras das fotografias dos candidatos prevista pela Justiça Eleitoral.
Assista à entrevista na íntegra:
