Governo bloqueia 50 mil sites de apostas ilegais no Brasil
O governo federal anunciou uma nova etapa na ofensiva contra o mercado irregular de apostas esportivas e jogos online no Brasil. Além do bloqueio de milhares de plataformas sem licença para atuar no país, a estratégia passa agora a atingir diretamente os canais financeiros utilizados para movimentar recursos dessas operações.
Dados apresentados pelo Ministério da Fazenda mostram que cerca de 50 mil endereços eletrônicos ligados a apostas ilegais já foram retirados do ar. Paralelamente, autoridades identificaram 37 instituições financeiras de tecnologia (fintechs) suspeitas de participação em transações relacionadas a empresas que operam fora das regras estabelecidas pela regulamentação brasileira.
A iniciativa faz parte de um conjunto de medidas que busca reduzir o espaço de atuação de operadores clandestinos em diferentes frentes. O objetivo é interromper não apenas o acesso dos usuários aos sites irregulares, mas também enfraquecer as estruturas de pagamento e divulgação que permitem a continuidade dessas atividades.
Segundo representantes da Secretaria de Prêmios e Apostas, a regulamentação do setor ganhou consistência nos últimos anos, após a criação de normas específicas para o funcionamento das empresas. Desde então, o governo passou a exigir critérios mais rígidos para concessão de licenças, monitoramento das operações e prevenção de práticas ilícitas, como lavagem de dinheiro.
Os números revelam o tamanho da procura pelo mercado brasileiro. Mais de 400 empresas demonstraram interesse em obter autorização para atuar legalmente no país. No entanto, apenas uma parcela conseguiu atender às exigências regulatórias e ingressar no ambiente oficial de operação.
A fiscalização também avançou sobre a presença digital das chamadas bets ilegais. Perfis em redes sociais, anúncios e aplicativos utilizados para promover plataformas sem autorização passaram a ser alvo de remoções sistemáticas. A intenção é reduzir o alcance dessas marcas e dificultar a atração de novos apostadores.
Outro foco das autoridades é impedir que empresas irregulares encontrem alternativas para continuar recebendo depósitos e realizando pagamentos. Para isso, o governo pretende intensificar a cooperação com órgãos de controle, entidades do setor financeiro e plataformas digitais.
A avaliação do Ministério da Fazenda é que o combate às apostas clandestinas exige uma atuação integrada. Por esse motivo, as ações não se limitam ao bloqueio de páginas na internet, mas alcançam toda a cadeia operacional que sustenta o negócio, desde a publicidade até a circulação dos recursos financeiros.
Com o fortalecimento das regras e dos mecanismos de fiscalização, o governo espera ampliar a segurança do mercado regulado e reduzir a participação de operadores que atuam à margem da legislação brasileira.
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