Paixão pelo Sítio do Picapau Amarelo ganha força no Instagram
Atenção: esta entrevista também está no Instagram @vi_textos, em formato de fotorreportagem.
Sérgio Marciliano, 28 anos, empresário de Angatuba, em São Paulo, é o criador da página Revista TV Sítio, que desde 2022 reúne no Instagram conteúdos dedicados ao universo do Sítio do Picapau Amarelo, obra de Monteiro Lobato que marcou sua infância e, consequentemente, influenciou profundamente sua relação com a fantasia e a imaginação. Atualmente, a página conta com cerca de 17,4 mil seguidores e tem como foco as diferentes versões da série exibidas pela TV Globo.
Início do amor pela obra
O interesse de Sérgio pelo universo de Monteiro Lobato ganhou novos contornos aos 15 anos. Em 2013, ele conversou por telefone com Álvaro Gomes, empresário da família do autor e responsável pelos licenciamentos do Sítio do Picapau Amarelo nos anos 2000. O contato foi decisivo para que o jovem aprendesse a divulgar a marca de forma adequada.
“Ele foi como um pai para mim, alguém que me ensinou tudo o que sei sobre licenciamento. Até digo que sou uma cria dele”, agradece.
Posteriormente, entre 2013 e 2019, o paulista desenvolveu o projeto social “Chácara Queto“, uma versão genérica do Sítio do Picapau Amarelo. Nele, um personagem que o representava interagia com o público infantil no YouTube para contar as histórias de Monteiro Lobato.
Domínio público e ideias
Em 2019, a série, conhecida nacionalmente por meio da TV Globo, entrou em domínio público. Com isso, o jovem passou a enxergar a possibilidade de expandir suas criações para o teatro e o audiovisual.
Embora a pandemia tenha surgido logo depois, Sérgio destaca que não desistiu de seus sonhos após o período de crise sanitária. Assim, deu continuidade à produção de espetáculos e conteúdos digitais.

Apresentação Sítio do Picapau Amarelo. Foto Divulgação/@revista_tv_sitio.
Origem da página Revista TV Sítio
A página criada pelo artista de teatro teve o nome inspirado em uma coleção de revistas lançada pela Editora Globo em 2001, intitulada Revista TV Sítio do Picapau Amarelo, da qual ele ainda preserva exemplares em seu acervo pessoal.
Apesar da forte ligação com o universo de Monteiro Lobato, o jovem garante que nunca planejou criar um perfil exclusivamente dedicado ao tema. Na verdade, a iniciativa nasceu de forma espontânea, enquanto conciliava sua rotina pessoal com a produção de conteúdos relacionados à obra.
“Um dia, a Cleo Monteiro Lobato, bisneta do autor, me ligou, puxou minha orelha e me incentivou a criar algo voltado exclusivamente para o Sítio e para o meu trabalho. Pronto! O primeiro nome que veio à minha cabeça foi justamente o dessa revista”, conta.
O encanto pelo Sítio do Picapau Amarelo
Ao refletir sobre o que mais gosta em sua série favorita, Sérgio explica que o encanto da obra não está ligado a um personagem específico. Para ele, o diferencial está na combinação entre fantasia, imaginação e a sensação de viver as próprias histórias. Por isso, identifica-se com os netos de Dona Benta, que viajam por diferentes mundos por meio do “pó de pirlimpimpim”.
“Quando criança, li ‘Peter Pan’ de Monteiro Lobato e também assisti ao episódio na TV. Pelo incrível que pareça, até meus 15 anos, bati o pé no chão com toda certeza do mundo de que também já tinha ido à ‘Terra do Nunca’, assim como a turma do Sítio”, relembra.
Hoje, o artista atribui essa visão ao impacto que o escritor exerceu sobre sua imaginação naquela época. Nesse sentido, considera as narrativas profundas e ricas em magia, tão marcantes que o levavam a encarar aquelas aventuras como algo real em seu imaginário.
Entre os personagens que mais o marcaram na série rural, Emília é sua favorita. Na infância do artista, a personagem era interpretada por Isabelle Drummond. Além disso, ele comenta qual perfil considera ideal para o papel:
“Na minha opinião, essa personagem precisa ser interpretada por uma criança, para falar a mesma língua de meninos e meninas”, reflete.
Conflitos e desafios no meio digital
Com o crescimento da Revista TV Sítio, Sérgio passou a enfrentar desafios relacionados à exposição pública. Ao longo dessa trajetória, ele relata episódios de estresse, disputas entre fãs e situações de inveja no ambiente digital.
Segundo o paulista, dentro de grupos de admiradores da obra há uma constante competição sobre quem possui mais itens do acervo. Para ele, porém, esse tipo de discussão nunca teve relevância.
Apesar disso, Sérgio admite que chegou a ter ciúmes de sua própria coleção. Ainda assim, decidiu mostrar o acervo em uma entrevista para uma afiliada da TV Globo sobre o projeto social “Chácara Queto”. Desde então, relata que sua vida pessoal e digital mudou significativamente.
Com a maior visibilidade, Sérgio afirma que passou a conviver com a aproximação de pessoas interesseiras e com reações negativas ao reconhecimento conquistado por seu trabalho. Diante dessas experiências, ele relata ter deixado parte da nostalgia de lado para investir em projetos autorais inspirados no universo do Sítio do Picapau Amarelo.
Ao comentar os desafios enfrentados ao longo dessa trajetória, ele também rebate as críticas direcionadas aos seus projetos.
“Nem todos sabem trabalhar direito com a obra. Por consequência, acabam se frustrando com o meu trabalho e me perseguem. Ainda assim, eu não tenho medo. Estou no meu direito. Lobato está em domínio público e tudo o que fiz foi conforme a lei”, desabafa.
Encontros marcantes e conexões criadas
A página também proporcionou ao artista experiências marcantes. Entre elas, destacam-se encontros com profissionais ligados às diferentes versões do Sítio do Picapau Amarelo, como diretores da TV Globo, familiares de Monteiro Lobato e atores da série. Ao longo dessa jornada, por exemplo, ele teve a oportunidade de conhecer nomes como César Cardadeiro (Pedrinho), Dhu Moraes (Tia Nastácia) e Izak Dahora (Saci Pererê).
“Falo pelo celular com o César. Ele é um rapaz de ouro e se tornou um grande amigo”, comenta, com alegria.
Amizade unida pela mesma paixão
A parceria entre Sérgio e Cleo começou após ela encontrar o trabalho dele no Instagram, durante um monitoramento de conteúdos relacionados ao legado literário de seu bisavô. Desde então, a amizade entre os dois se fortaleceu, a ponto de a forma como se conheceram ainda render boas risadas. Há quatro anos, o jovem viajou cerca de seis horas para encontrá-la em Taubaté.
“Sou bem alto e ela é baixinha, então acabou se assustando, porque disse que tem medo de homens altos. No fim, depois de três anos de muita amizade, fui trabalhar como o Visconde dela, enquanto minha irmã Julia interpretava a Emília”, recorda, rindo.
Hoje, Sérgio considera Cleo uma segunda mãe. Dessa forma, a sintonia construída ao longo dos anos transformou a parceria de trabalho em um laço familiar.

Cleo, Sérgio e Julia. Foto Divulgação/@revista_tv_sitio.
Futuro do projeto e novos caminhos
Sobre o futuro da Revista TV Sítio, Sérgio reconhece não ter nenhuma decisão tomada. Ainda assim, avalia tanto a possibilidade de encerramento quanto a de transferir o projeto para outro fã que compartilhe a mesma dedicação e carinho pela obra de Monteiro Lobato.
Enquanto isso, ele prepara novidades ligadas à sua nova marca, O Mundo de Emília, que deve ganhar novos desdobramentos ainda este ano.
“Tem muita coisa acontecendo e, até setembro, vocês verão novidades nos principais portais de notícias”, conclui.
