Tecnologia em campo: a evolução do preparo físico no futebol

Tecnologia em campo: a evolução do preparo físico no futebol

A preparação física no futebol mudou de forma profunda ao longo dos anos e deixou de ser apenas uma rotina baseada em observação e esforço diário para se tornar um trabalho cada vez mais preciso, apoiado pela ciência e pela tecnologia. Nesse cenário, entre planilhas, sensores e avaliações constantes, o preparador físico Luis Paulo Bustamante acompanha de perto essa transformação e relembra como o cuidado com os atletas ganhou novas camadas de análise, prevenção e personalização dentro dos clubes.


Rotina de Bustamante no futebol

Verificar o peso corporal dos jogadores, conversar individualmente para saber como passaram a noite, checar se tomaram café da manhã e avaliar a disposição para mais um dia de trabalho fazem parte da rotina de um preparador físico no futebol profissional. Paralelamente, são realizadas reuniões rápidas com a comissão técnica para apresentar as atividades do dia e compartilhar informações.

“Além disso, eu passava pelo departamento médico para verificar se havia alguma baixa ou recomendação e, posteriormente, levava essas informações à comissão técnica”, complementa.


Avanços tecnológicos

Segundo o portal Tecnoblog, o futebol passou a utilizar wearables (relógios digitais) em conjunto com coletes equipados com GPS a partir de 2014. Dessa forma, tornou-se possível monitorar a frequência cardíaca e diversos indicadores de desempenho em tempo real. Como resultado, os treinamentos ficaram mais personalizados e eficientes.

“Antigamente, a preparação física era focada principalmente na resistência aeróbica, com o objetivo de fazer os jogadores manterem o ritmo durante toda a partida. Da mesma forma, o trabalho na musculação era generalizado e não considerava as necessidades individuais de cada atleta”, explica.

Com o passar dos anos, o trabalho desenvolvido nos bastidores dos clubes ganhou novas ferramentas e uma base científica cada vez mais sólida. Na avaliação de Bustamante, esse processo de aprimoramento contínuo tornou-se um diferencial importante para quem busca resultados expressivos nas competições.

“A preparação física no futebol é um dos fatores que mais evoluíram nas últimas décadas e continua melhorando. O conhecimento sobre o condicionamento físico é de suma importância para o sucesso de uma equipe dentro da competição”, destaca.

Atualmente, a inteligência artificial desempenha um papel cada vez mais relevante na preparação esportiva. Por meio de sensores de movimento e roupas inteligentes, profissionais coletam dados detalhados sobre biomecânica, esforço físico e padrões de deslocamento. Em seguida, algoritmos analisam essas informações e permitem ajustes imediatos nos treinamentos. Assim, os atletas podem melhorar o rendimento e reduzir o risco de lesões.

“Hoje, sabemos até as características genéticas dos jogadores. Além disso, avaliamos a capacidade de resistência, a eficiência na corrida, os limiares ventilatórios, a distribuição da massa muscular e a potência. Com esses dados, conseguimos direcionar a carga e o tipo de treinamento de forma cada vez mais individualizada”, destaca.

Foto feita com IA.


Cuidados para evitar lesões e manter alto rendimento

Bustamante afirma que a tecnologia se tornou uma aliada indispensável para acompanhar a evolução dos atletas e, além disso, prevenir lesões. Nesse contexto, entre os recursos utilizados, estão a termografia infravermelha, que identifica alterações na temperatura corporal, bem como exames de sangue que medem os níveis de creatinofosfoquinase (CPK), enzima cuja concentração pode aumentar após danos musculares causados por exercícios intensos.

Por outro lado, ele reforça que, além dos avanços tecnológicos, a nova geração de preparadores físicos precisa investir constantemente em qualificação profissional. Nesse sentido, cursos de pós-graduação em Fisiologia do Exercício, Biomecânica, Cinesiologia do Treinamento e Medicina do Esporte fazem grande diferença na carreira.

“Esses cursos proporcionam uma compreensão científica mais aprofundada do treinamento. Também oferecem acesso às tendências e práticas mais recentes do esporte, contribuindo diretamente para o crescimento profissional”, analisa.

Viver grandes sonhos exige dedicação, resiliência, sede por conhecimento e persistência. Nesse contexto, Bustamante relembra que os títulos do Bicampeonato Catarinense conquistados pelo Joinville, em 2000 e 2001, estão entre os momentos mais marcantes de sua trajetória.

“Outro momento especial foi a convocação para a Seleção Catarinense disputar um jogo em Montevidéu contra a Seleção Uruguaia. Na ocasião, empatamos por 1 a 1”, recorda.

Por fim, os conhecimentos acumulados por Bustamante ao longo de quase cinco décadas representam um legado importante para o futebol. Dessa forma, sua trajetória serve de inspiração e orientação para futuras gerações de profissionais de educação física, que buscam excelência, inovação e evolução constante no esporte.

JEC campeão estadual. Foto Divulgação/colecionador Rubens Martins Junior.


Trajetória profissional de Luis Paulo Bustamante

Com 46 anos de experiência no futebol, o preparador físico Luis Paulo Bustamante, natural do Rio de Janeiro, iniciou sua trajetória em 1979, na Portuguesa-RJ. Posteriormente, trabalhou em clubes tradicionais, como Vasco, Bahia, Ceará, Avaí, Criciúma, Ponte Preta e Joinville. Ao longo dos anos, consolidou sua carreira, destacando-se especialmente no futebol catarinense.

Bustamante em ação. Foto: Assessoria/Divulgação.


JEC campeão estadual em 2000

Bicampeonato catarinense do JEC

​​

Compartilhar: