No Brasil, grandes emissoras de TV são destruídas por incêndios

Coluna 56 - BastidoresDaTV.com.br
Coluna 56 – BastidoresDaTV.com.br

A bruxa andou solta pelas emissoras de TV brasileiras, desde a implantação do meio de comunicação por aqui. A precariedade das instalações, na maioria dos casos, marcou a história, por provocar sinistros de grandes proporções. As principais redes de televisão foram atingidas por incêndios, alguns até hoje sem explicação. Mas não foi somente o fogo que gerou prejuízos, as enxurradas também deixaram uma destas grandes emissoras embaixo d’agua.

Os incêndios em TV mais recentes ocorreram em Florianópolis (SC), em novembro de 2012, na RICTV Record e na TV Tibagi (Rede Massa/SBT), em Apucarana (PR), em julho de 2008. A TV Cacoal, afiliada da Band, em Rondônia, foi destruída pelas chamas, em maio deste ano.

Além do eixo Rio-SP, os anos 70 tiveram ocorrências de incêndios na TV Gaúcha (RBS/Globo), em Porto Alegre, em 1972. Em 1974 foi a TV 31 de março, em Aracaju, e a TV Itapoan, em Salvador, em 1975. Muitos acidentes são apontados por panes elétricas, outros por ‘ataques terroristas’ e há quem suspeite, em alguns casos, de uma oportunidade para acionar os seguros milionários para modernização das emissoras. No entanto, a verdade, em 100% dos incidentes, principalmente de 60 a 92, se transformou em cinzas.

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Globo
A TV Globo sofreu algumas vezes com as chamas. Quatro vezes no Rio de Janeiro e uma em São Paulo. Há 40 anos, um grande incêndio destruiu boa parte das instalações da TV Globo no Rio de Janeiro. Na mesma tarde, os então apresentadores do Jornal Nacional, Cid Moreira e Sérgio Chapelin, foram enviados em jatos fretados para São Paulo, de onde apresentaram o principal telejornal do país durante 90 dias. O incêndio também destruiu capítulos de novelas, mas a Globo não saiu do ar. O incêndio começou no sistema de ar condicionado, durante o Jornal Hoje, em 04 de junho de 1976. As 13 horas daquela sexta-feira de pagamento e de encerramento da novela O Pecado Capital, que seria substituída por O Casarão, o incêndio destruiu quase inteiramente a central de transmissões da emissora. O incêndio durou toda a tarde e parte da noite, na Rua Von Martius, 22, no Jardim Botânico. Quando, o locutor Berto Filho acabou de ler as manchetes do Jornal Hoje, o gerente de programação da TV Globo de São Paulo, Canal 5, foi avisado de que deveria inverter imediatamente a rota do sistema de link que liga as duas emissoras. O diretor-geral da Rede Globo, Valter Clark, deu ordem para que se salvassem todos os filmes, principalmente os videotapes. No mesmo ano, em 28 de setembro, o segundo andar de um prédio da Globo Rio também teve um curto-circuito. Em janeiro de 1970 há registros de um incêndio na emissora carioca. Só um tempo depois, em 29 de outubro de 1971, durante a gravação do Moacir Franco Especial e encerramento da novela Bandeira 2, antecessora de O Bem Amado, houve o primeiro grande incêndio na Globo Rio, deixando cinco feridos e ampla destruição. Já o incêndio da TV Globo, Canal 5, São Paulo, cujas instalações eram na Rua das Palmeiras, destruiu quase tudo, em 13 de julho de 1969. O que sobrou de todo o material, reduziu-se a um caminhão usado normalmente para transmissões de ruas. A direção da TV Globo e a da TV Record, atingidas no mesmo dia por incêndios, atribuíram à sabotagem dirigida, uma “ação criminosa”. O fogo voltou a assustar a Globo, após um curto na instalação da nave do programa Xuxa Park, em 11 de janeiro de 2001, durante a gravação da atração. Diversas crianças e adultos acabaram se ferindo no incidente que destruiu o estúdio em poucos minutos. A própria apresentadora escapou da morte por pouco.

Grande incêndio atingiu a sede da Globo, no Rio, em 1976.
Grande incêndio atingiu a sede da Globo, no Rio, em 1976.
Incêndio em estúdio do Projac causa pânico em gravação do Xuxa Park.
Incêndio em estúdio do Projac causa pânico em gravação do Xuxa Park, em 2001.

Record
A TV Record foi uma das grandes atingidas por sinistros. A emissora sofre um grande incêndio em seus estúdios em Moema, na cidade de São Paulo, em maio de 1960 e se vê obrigada a utilizar programas da TV Rio para preencher sua programação. No entanto, foi no dia 29 de julho de 1966, que a emissora sofria o seu incêndio de maiores proporções, na sede próximo a Congonhas. O primeiro de uma série de três que ocorreria no espaço de três anos. A emissora passa por um incêndio ocorrido na manhã do dia 29 de julho, desta vez de proporções mais sérias. Em meio a tanta devastação, foram perdidos cerca de 320 rolos de fitas, algumas incluindo longos e preciosos trechos da inauguração da TV Record, em 1953. Meses depois do Teatro Record pegar fogo, na Consolação, no dia 13 de julho de 1969 um novo incêndio na TV Record, no mesmo dia que a TV Paulista (Globo), teve a mesma ocorrência, ambos considerados, na época, como um atentado. Outro sinistro ocorre em maio de 1974, quando a torre da emissora é destruída pelo fogo. Em 14 de fevereiro de 1981, o Edifício Grande Avenida, onde se localizava a nova torre de transmissão do canal, sofre um grave incêndio. Apesar disso, a Torre da Record não sofreu nenhum dano e o funcionamento da mesma não foi afetado. Todavia, o ocorrido acabou vitimando 17 pessoas e deixou 53 feridos. Em 1992, um novo incêndio, em menores proporções. Já com Edir Macedo se tornado dono de facto da Record, um novo incêndio atinge os estúdios da TV Record. Dessa vez, o sinistro ocorrido é visto como bastante providencial pela direção da emissora, cuja compra pelo líder da Igreja Universal foi bastante questionada por alguns setores da sociedade. Com o incêndio, vários documentos relativos a venda da Record se perderam, fazendo com que alguns pontos da transação jamais fossem esclarecidos. Em dezembro de 1998, Bóris Casoy ancorava, ao vivo, o Jornal da Record, quando um princípio de incêndio no estúdio virou notícia do telejornal. O mais recente caso de incêndio foi registrado num dos estúdios do extinto Recnov, no Rio, hoje operados numa parceria Casablanca/Record.

Hebe Camargo ajudando a resgatar imagens em incêndio de 1966, na TV Record.
Hebe Camargo ajudando a resgatar imagens em incêndio de 1966, na TV Record.
Jornal da Record pega fogo ao vivo, em 1998.
Jornal da Record pega fogo, ao vivo, e Bóris Casoy chama os comerciais, em 1998.

SBT
E não foi apenas o fogo que causou destruição para as grandes emissoras. Os antigos estúdios do SBT foram destruídos por uma enxurrada. Em 19 de março de 1991, os estúdios do SBT São Paulo na Vila Guilherme sofrem um grande alagamento em função da cheia do Rio Tietê após um temporal, o que forçou a emissora a interromper sua programação normal em todo o país e improvisar um link ao vivo em cima de um bote para mostrar a situação dos estúdios. A inundação gerou um grande prejuízo e uma crise que perdurou até o ano seguinte. Somando-se a isso, o fato das instalações do SBT São Paulo estarem divididas em outros 4 pontos da cidade já estava criando barreiras para o crescimento do canal. É a partir daí que começa em 1994 a construção dos novos estúdios da emissora, no Km 18 da Rodovia Anhanguera em Osasco, na Grande São Paulo, onde já existia o departamento administrativo do SBT desde a sua fundação. Com os alagamentos, muitas fitas com programas da emissora se perderam. Antes de ter o SBT, Silvio Santos também teve prejuízos com incêndios. Ele apresentava seu programa em emissoras que passaram por sinistros, a própria Record, a qual era acionista. Em 1978, o Estúdio Manoel de Nóbrega, da TVS (Studios Silvio Santos), localizado na Rua Cotoxo, 1021, na Vila Pompéia, em São Paulo, onde funcionou um cinema, foi amplamente destruído pelo fogo. A reforma ficou pronta um mês antes do incêndio. Como o Grupo Silvio Santos tivera perdas com um incêndio na TV Globo e outro nas instalações da Vila Guilherme (só na parte administrativa), o cinema ganhou completo sistema de controle e combate a incêndio. O local tinha sistema que derrubava a energia e logo um curto-circuito foi descartado. O fogo começou nos fundos do prédio, destruído em poucos minutos. Os estúdios serviam de apoio para a TVS Rio, onde Silvio Santos gravava seu Programa que era transmitido também para diversas emissoras em todo país, como a Record SP.

Estudios do SBT, na Vila Guilherme, demolidos em 2011, eram atingidos por constantes alagamentos.
Estudios do SBT, na Vila Guilherme, demolidos em 2011, eram atingidos por constantes alagamentos.
Em 1978, um incêndio destruiu os estúdios paulistas da TVS do Rio. Emissora se tornaria SBT, anos depois, com a concessão do canal 4, de SP.
Em 1978, um incêndio destruiu os estúdios paulistas da TVS do Rio. Emissora se tornaria SBT, anos depois, com a concessão do canal 4, de SP.

Bandeirantes
Uma cartomante previu um incêndio na Band, pouco tempo antes dele destruir os estúdios no Morumbi, em julho de 1969. João Saad duvidou e pensou que a mulher trabalhasse para algum concorrente. A TV Bandeirantes foi atingida por incêndio com grandes prejuízos. O incêndio devastador, no final do programa Cidinha Campos, destruiu totalmente suas instalações. Grande parte dos seus arquivos se perderam. O slogan da época era: “A Bandeirantes não vai parar”. O incêndio ocorrido nos estúdios fez com que se alugasse às pressas o Cine Arlequim, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo, que foi batizado de Teatro Bandeirantes. Toda a programação da Rádio e TV Band foi gerada a partir do Cine Arlequim, transformado rapidamente em Teatro Bandeirantes. O incêndio na Bandeirantes foi semelhante os das redes Globo, Record e Excelsior, o que levou as autoridades a atribuírem os quatro incêndios a atos de sabotagem, sob comando único. De todos, o incêndio da TV Bandeirantes foi o maior, durando três horas e meia. O fogo teria começado, a um só tempo, em três pontos diferentes.

TV Bandeirantes sofreu um dos maiores incêndios da história da TV no Brasil. Bombeiros conseguiram isolar e salvar a Rádio Bandeirantes, em 1967.
TV Bandeirantes sofreu um dos maiores incêndios da história da TV no Brasil. Bombeiros conseguiram isolar e salvar a Rádio Bandeirantes, em 1969.

Cultura
Em 28 de abril de 1965, um curto-circuito no 15º andar do Edifício Guilherme Guinle, na Rua 7 de Abril, 230, provocou um incêndio onde era o estúdio da TV Cultura dos Diários Associados. Pouco se salvou deste incêndio, onde inclusive perdeu-se a primeira câmera de TV do Brasil que era da Rede Tupi (câmera TK-30 de 80 quilos). Devido ao incêndio, os programas da emissora foram provisoriamente produzidos em um estúdio da TV Tupi no Sumaré. A TV Cultura preservou muitos programas antigos, mesmo sofrendo um novo incêndio em 1986. No dia 28 de fevereiro de 1986 o fogo atinge a sede da TV Cultura, na cidade de São Paulo. O fogo destruiu 90% dos equipamentos da emissora, fazendo com que ela ficasse três horas fora do ar. A emissora, com equipamentos emprestados das TVs Globo, Manchete e Bandeirantes, retorna ao ar noticiando o incêndio e cobrindo todo o trabalho dos bombeiros. Restaram poucos filmes com a primeira emissão da emissora. Nos anos 64 e 65, três incêndios atingiram a emissora pública.

Incêndio de 1986 consumiu 90% da TV Cultura.
Incêndio de 1986 consumiu 90% da TV Cultura.

Excelsior
A extinta Excelsior teve seu primeiro incêndio no dia 02 de julho de 1967 e três anos depois, um segundo incêndio, exatamente no dia 17 de julho de 1970, este de enormes proporções, na Vila Guilherme. Em setembro de 1970, a emissora é extinta. O incêndio de 1970, também se atribuiu a uma represália da esquerda, na época da ditadura militar.

Tupi
A mais antiga das emissoras do Brasil, pouco sofreu com a maldição do fogo. Foram dois registros nos anos de 1972 e 1978. A emissora foi extinta em 1980. Em 1981, o canal 4 de SP é outorgado para o empresário Silvio Santos.

 

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Júlio César Fantin

Trabalhou em empresas de comunicação como SBT SC, Band SC e Regional FM. Criou o site Portal G e o portal Ouvintes.

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